- Estudo realizado na Amazônia peruana testou pontes de dossel com redes, cordas grossas e plataformas, conectando copas de árvores para facilitar a movimentação de animais.
- Pesquisa, com monitoramento de 21 dias por câmeras, acompanhou espécies como preguiça-de-dois-dedos, saki e tamarim-olho-de-gato, no ACTS Field Station, perto de Iquitos.
- Os resultados destacam que entender o uso das pontes em florestas contínuas é essencial para estratégias de conectividade em áreas fragmentadas.
- Observação inédita: saki (parauacus) foi registrado utilizando estruturas artificiais pela primeira vez, segundo especialistas.
- No Brasil, especialistas defendem pontes artificiais como solução simples, barata e eficaz frente a uma vasta rede rodoviária; exemplos incluem pesquisas na Bahia sobre macacos-endêmicos e tamarins, para reduzir mortalidade e promover conectividade.
O estudo realizado na Amazônia peruana utilizou pontes arboríneas com redes, cordas grossas e plataformas para criar corredores suspendidos. Objetivo: facilitar a movimentação de animais entre copas. As trilhas foram monitoradas por câmeras durante 21 dias.
Os pesquisadores, Justin Santiago e Lindsey Swierk, da State University of New York em Binghamton, instalaram as estruturas na Estação de Campo ACTS, dentro da Reserva Biológica Napo-Sucusari, perto de Iquitos, Loreto. A pesquisa envolveu espécies-chave como o preguiçoso-de-dois-dedos e o macaco-ural.
Os resultados, publicados em Neotropical Biology and Conservation em setembro de 2025, destacam que a compreensão de como animais usam pontes em florestas contínuas é fundamental para estratégias de conectividade em paisagens fragmentadas.
O que mudou com a ponte
As pontes suspensas mostraram-se úteis para a movimentação entre copas, reduzindo a mortalidade em áreas próximas a vias e linhas de energia. O estudo registra uso por várias espécies, indicando potencial para ações de conectividade.
Perspectivas e impactos
Fernanda Abra, especialista da Smithsonian, elogiou a pesquisa e destacou a observação inédita de saki usando pontes artificiais. Ela aponta que dados ajudam a orientar futuras instalações e monitoramentos.
Desafios no Brasil
Especialistas ressaltam que, no Brasil, a vasta biodiversidade e a rede viária tornam as pontes uma ferramenta relevante, porém complexa de implementação. Estudos anteriores já mostraram benefícios para a saúde genética de populações.
Casos de referência
Outra linha de trabalho envolve Ana Rubia Rossi, que mapeou pontos de conexão arborizada na BA-262, na Bahia, com espécies como o mico-leão-dourado. A estrada tem papel crescente como rota de acesso a um porto em Ilhéus, elevando a necessidade de soluções.
Considerações finais
Profissionais destacam que pontes de canopi permanecem uma estratégia simples, de baixo custo e replicável, especialmente quando combinadas a outras medidas de mitigação. A continuidade de pesquisas é vista como essencial.
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