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Grandes firmas de lobby dos EUA atuam de ambos os lados da questão das PFAS

Relatório aponta firmas de lobby atuando em ambos os lados de regulamentação de PFAS, levantando conflitos de interesse e atrasos em medidas de saúde pública

Lobbying firms playing both sides of the Pfas issue raises serious conflict of interest questions and concerns.
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  • Um grupo de grandes firmas de lobbying nos Estados Unidos atua nos dois lados da questão dos PFAS, levantando conflitos de interesse e preocupações sobre atrasos em medidas de saúde pública.
  • A empresa Holland & Knight trabalha para o American Chemistry Council ( conselho que representa grandes fabricantes de PFAS) e, ao mesmo tempo, lobbying para a American Cancer Society.
  • Em Oregon e New Jersey, registros mostram firmas defendendo e lutando contra propostas sobre PFAS em bens de consumo, recebendo pagamentos por ambos os lados.
  • Na Califórnia, dois projetos de lei relacionados aos PFAS foram usados para ilustrar o “dobro vínculo”: uma proposta para banir PFAS em itens de cozinha e outra para financiar a limpeza da água; o veto do governador manteve parte das regras.
  • O relatório recomenda que grupos e governos cortem vínculos com firmas conflitantes, para evitar favorecimentos e promover transparência.

Duas parcelas da indústria de lobby dos EUA operam em lados opostos da regulamentação de PFAS, os chamados “químicos eternos”. Um relatório de uma ONG analisou registros de seis estados e aponta cenários em que firmas atuam tanto a favor quanto contra normas de PFAS. O objetivo: evidenciar conflitos de interesse que podem atrasar medidas de saúde pública.

A revisão, realizada pela organização sem fins lucrativos F-Minus, mostra que firmas de lobbying defendem posições opostas em diferentes frentes. Entre os casos, destaca-se a Holland & Knight, ligada ao American Chemistry Council, que representa grandes fabricantes de PFAS e costuma opor-se a regulações. A mesma firma também trabalha para a American Cancer Society.

Na prática, o estudo cita que a atuação dupla ocorre de variadas formas, com empresas aconselhando clientes com interesses divergentes ao mesmo tempo. Segundo a F-Minus, a situação é comum em estados com leis de transparência de lobbying frágeis, o que dificulta o rastreamento.

Exemplo na Califórnia

Nos registros do estado, a KP Public Affairs atuou a favor de SB 682, que previa a proibição de PFAS em utensílios de cozinha, representando fabricantes opositores. Ao mesmo tempo, a Public Policy Advocates apoiou o fundo de limpeza para PFAS em águas, alinhando-se ao American Chemistry Council.

Em contrapartida, a governança da Califórnia vetou o banimento de produtos, mantendo o fundo de limpeza. Segundo o relatório, o veto permitiu que empresas associadas a PFAS apresentassem vitórias diferentes conforme o público-alvo de cada cliente.

O relatório também aponta que, em Nova Jersey, a Princeton Public Affairs Group atuou a favor e contra um projeto de lei que baniria PFAS em alguns produtos. O levantamento aponta ganhos para a firma, que teria recebido cerca de 96 mil dólares pela atuação.

Outros desdobramentos

O estudo aponta ainda 26 sistemas de saúde, 11 redes de ensino e 132 governos locais compartilhando escritórios de lobby com grupos da indústria, incluindo o American Chemistry Council. A F-Minus destaca que a atuação ocorre em 36 estados.

Segundo especialistas, firmas que atuam nos dois lados costumam ser vistas como detentoras de experiência, mas o jornalismo de lobby pode prejudicar a credibilidade. A organização recomenda que entidades públicas cortem vínculos com firmas conflitantes.

O relatório cita casos envolvendo áreas relacionadas à saúde ambiental, educação e meio ambiente, com ações que vão desde testes de água até políticas de uso de PFAS em produtos de consumo. Os padrões de divulgação variam conforme o estado, dificultando monitoramento amplo.

O texto ressalta que, embora legalmente permitido, haver cooperação entre lados opostos pode expor clientes a riscos legais se houver compartilhamento de informações. A análise do grupo indica necessidade de maior transparência e de escolhas mais claras por parte de organizações públicas e privadas.

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