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Florestas, incêndios e ganhos frágeis: entrevista com Elizabeth Goldman da WRI

Queda de 36% na perda de floresta tropical primária em 2025, mas melhoria é frágil e depende de políticas, fogo e clima próximo ao El Niño

Indonesian rainforest. Photo by Rhett Ayers Butler.
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  • Dados do Global Forest Watch indicam queda de 36% na perda de floresta tropical primária em 2025, mas ainda assim 4,3 milhões de hectares foram perdidos naquele ano.
  • o Brasil teve papel central na melhoria, com políticas como o Plano Nacional de Combate ao Desmatamento (PPCDAm) e maior fiscalização, fazendo a redução de perdas ocorrer mesmo sem fogo.
  • A volatilidade do fogo continua preocupação: 2026 pode trazer El Niño mais quente e seco, colocando à prova as medidas de resposta para evitar o recuo observado em anos anteriores.
  • Embora haja avanço, o panorama global ainda mostra déficit de políticas eficazes: cerca de 70% dos compromissos globais de zero desmatamento estão fora de caminho, segundo a avaliação.
  • Ações precisam ser multilaterais: liderança política estável, medidas contra incêndios climáticos, financiamento adequado (como o Tropical Forests Forever Facility) e incentivos à agricultura sustentável para sustentar os ganhos.

A perda de floresta tropical primária caiu 36% em 2025, segundo dados globais do Global Forest Watch (GFW) da World Resources Institute. Apesar da queda, ainda foram perdidos mais de 4,3 milhões de hectares de floresta tropical primária no ano, destacando a fragilidade dessa melhoria.

Elizabeth Goldman, co-diretora do GFW, afirma que o recuo é positivo, mas isolado em um único ano. Ela aponta que, sem medidas eficazes, o aquecimento e a seca já observados em 2026 podem reverter ganhos recentes.

A entrevistada ressalta que a notícia não é motivo de celebração, e sim de reflexão sobre o que funcionou, por que funcionou e como replicar em outros contextos. O risco de repetição de 2024, com incêndios extremos, é citado como preocupação central para 2026.

Cenário global e evidências de progressos

Goldman destaca que a melhoria foi puxada principalmente pelo Brasil, com avanços também verificáveis em outros países. Mesmo desconsiderando perdas não associadas a fogo, a queda no Brasil supera 40%.

A reativação do Plano Nacional de Controle do Desmatamento (PPCDAm) em 2023, aliado ao aumento da fiscalização ambiental, são citados como fatores-chave. O monitoramento quase em tempo real ajuda a orientar ações de intervenção.

Entretanto, a especialista lembra que esse progresso pode ser frágil ante mudanças políticas, choques econômicos e anos de fogo intenso. A adoção de estratégias múltiplas é apresentada como garantia de estabilidade frente a oscilações.

Desafios climáticos e padrões de fogo

A entrevistada alerta que políticas desenhadas para reduzir a derrubada não são sempre suficientes quando o fogo decorrente do clima assume papel dominante. Em países onde a perda florestal está associada a pobreza, soluções precisam envolver transição energética, geração de empregos e apoio a meios de sustento locais.

Questionada sobre o papel de acordos internacionais, Goldman aponta que regimes multilaterais, acordos setoriais e iniciativas empresariais voluntárias ajudam a manter caminhos de proteção mesmo com mudanças políticas. A coordenação entre medidas diferentes é destacada.

Ouvindo perguntas sobre metas e financiamentos

Sobre as metas globais da Glasgow Declaration, Goldman comenta que não é possível uma resposta binária de sucesso ou fracasso. O mapa por bacia hidrográfica indica avanços variáveis, com a Amazônia se aproximando de cumprir parte das metas para 2030.

Ela cita que o Brasil, em especial, tem protagonismo significativo na gestão de floresta, influenciando os números globais por meio de fiscalização mais robusta, instituições fortalecidas e fundos dedicados. O investimento ainda é desproporcional entre conservação e setores de exploração.

Caminhos para uma política efetiva

Segundo Goldman, não existe solução única. Um sistema eficaz precisa combinar liderança firme, ações contra incêndios climáticos, financiamento adequado para iniciativas como a Tropical Forests Forever Facility e incentivos para produção agrícola com menor pegada. Essas peças, disse, seriam fundamentais para tornar as metas de Glasgow mais viáveis.

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