- Estudo analisou mais de 1.200 compromissos ambientais de 33 grandes empresas do setor de carne e laticínios entre 2021 e 2024, indicando que 98% poderiam ser considerados greenwashing.
- Os autores definem padrões de informações “enganosas” sobre estratégias, metas e ações ambientais que criam a ilusão de progresso.
- Em mais de um terço das promessas, há metas vagas de clima (redução de emissões, net zero) sem planos de implementação ou avaliação de viabilidade.
- Exemplos citados incluem a Cargill, que mudou o year base para avaliar desmatamento, alegando 99,3% de soja cultivada sem desmatamento, sem alterar a origem das matérias-primas.
- A Danone e a Minerva Foods também aparecem com promessas não comprovadas ou com dificuldades de verificação, enquanto o estudo alerta para o risco de o discurso parecer apenas de relações públicas.
Meat and dairy production ainda figura entre as maiores defensoras da emissão de gases e da derrubada de florestas, segundo um estudo recente que analisou 1.200 compromissos ambientais de 33 grandes empresas do setor entre 2021 e 2024. A conclusão aponta que 98% das afirmações podem ser classificadas como greenwashing.
A pesquisa, publicada na revista PLOS Climate, aponta que mais de um terço das declarações ambientais são vagas ou sem planos de implementação. Os autores destacam que promessas como metas de redução de emissões costumam faltar evidências de viabilidade ou acompanhamento independente.
Segundo os pesquisadores, parte das empresas recorre a informações seletivas para criar a ilusão de progresso. O estudo também analisou a forma como as próprias companhias descrevem suas estratégias e metas ambientais, sem explicitar métodos de verificação.
Entre os exemplos citados, a gigante de commodities Cargill afirmou em 2023 que eliminaria o desmatamento em sua cadeia de suprimentos de grandes culturas na região, até 2025. Não há, no relatório, detalhes sobre métricas de verificação ou implementações efetivas.
Em 2024, a imprensa cartografou mudanças no relato de Cargill, que reajustou o ano-base para avaliar o desmatamento, adiantando a comparação para 2020. A manobra ampliou a proporção de soja cultivada sem desmatamento para 99,3%, sem alterar a origem das compras.
Outra companhia citada foi a Minerva Foods, que prometeu zerar o desmatamento ilegal em toda a cadeia de suprimentos da América do Sul até 2030. A instituição é apontada pelos pesquisadores como exemplo de metas ambíguas sem confirmação de resultados.
Já a Danone, gigante mundial de laticínios, comprometeu-se, em 2023, a não desflorestação em suas commodities associadas até 2025. O estudo ressalta a ausência de evidências de implementação e a falta de clareza sobre avaliação e verificação independentes.
Em 2024, a Danone também enfrentou dificuldades para rastrear fornecedores, o que o estudo considera um obstáculo comum entre pares diante da regulamentação europeia para desmatamento. A pesquisa aponta falhas no monitoramento como barreiras à veracidade das promessas.
Coautora do trabalho, a professora Maya Bach, da University of Miami, afirma que muitos compromissos parecem ações de relações públicas mais do que medidas reais. Outro componente citado é a ausência de planos concretos de implementação.
A pesquisa reúne 467 declarações ambientais com promessas vagas, metas amplas ou sem comprovação de resultados práticos. Os autores destacam a necessidade de avaliações independentes e de métricas verificáveis para evitar o efeito de propaganda ambiental.
Entre na conversa da comunidade