- Emmanuel Bahati Lukoo, ex-ranger de Virunga e hoje vice-diretor do Parque Nacional de Kahuzi-Biega, sobreviveu a uma emboscada em 2018 que tirou a vida de seis colegas.
- Ele relatou o livro Conservation at the Cost of My Youth: The Survival of a Ranger, destacando riscos, pressões políticas e dificuldades enfrentadas pelos guardas nas áreas protegidas do leste da Rócias (DRC).
- A entrevista aponta ataques, detenções e processos judiciais ligados à proteção dos parques, além de escassez de apoio psicológico para os guardas.
- Os salários são muito baixos e muitos dependem de bônus de parceiros privados ou ONGs; com o aumento do custo de vida, há necessidade de melhores remuneração e condições de trabalho.
- Lukoo critica interferência política e defende conservação participativa, desenvolvimento de alternativas econômicas para comunidades próximas e a recuperação das áreas protegidas para benefício público.
Emmanuel Bahati Lukoo, ex-ranger do Virunga e hoje vice-diretor do Parque Nacional de Kahuzi-Biega, contou a Mongabay sobre os riscos enfrentados pelos guardas na região leste da República Democrática do Congo. A entrevista destaca a violência de grupos armados, tráfico ilegal de recursos naturais e tensões com comunidades, que colaboram para condições precárias de trabalho.
Em 2018, Lukoo sobreviveu a uma emboscada mortal durante uma operação de proteção. Seis colegas, entre rangers e um motorista civil, foram mortos. O atentado ocorreu em uma região de savana chamada Oro, após uma rotação de equipes. Ele foi ferido, iniciou uma recuperação que incluiu tratamento psicológico.
A trajetória dele aponta para um problema sistêmico: baixos salários, apoio insuficiente e condições de trabalho extremamente precárias. Lukoo relata que muitos guardas dependem de adicionais pagos por parceiros internacionais para sobreviver, mesmo com o aumento do custo de vida e dos riscos diários.
Contexto e desdobramentos
O ranger descreve ainda pressões políticas como um dos principais obstáculos à conservação na DRC. Em alguns casos, detenção, agressões e ações legais são associadas a tentativas de desrespeitar áreas protegidas, o que coloca a vida de guardas em risco.
Lukoo também relata dificuldades envolvendo comunidades locais. A proteção das áreas pode gerar conflitos, já que algumas populações dependem de atividades econômicas na região. Ele defende a conservação participativa, com alternativas econômicas e envolvimento comunitário para melhorar a compreensão sobre os benefícios da proteção.
Outro ponto destacado é o impacto da violência armada na conservação. O conflito entre grupos, como o M23, agrava a destruição de habitats, dificulta o acesso a áreas protegidas e aumenta a necessidade de segurança para quem atua na fiscalização.
O que falta para avançar
O depoimento descreve a necessidade de apoio psicológico estruturado para guardas, bem como financiamento estável e condições de trabalho mais robustas. O objetivo é reduzir o risco de assédio, detenção ou ações jurídicas que tenham motivação política.
Lukoo cita ainda a importância de investimentos em educação e oportunidades para as crianças de guardas, além de projetos com jovens para aproximar comunidades e rangers. A visão é transformar parques como Virunga, Kahuzi-Biega e Maiko em símbolos de paz e prosperidade.
A entrevista conclui com uma chamada à ação: reconhecer os guardas como atores essenciais da conservação global, não apenas como heróis ال, mas como profissionais vivos, com direitos e necessidades reconhecidas durante a vida.
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