- Cerca de dois bilhões de pessoas não têm acesso regular à água potável e aproximadamente oitocentos mil morrem anualmente por doenças associadas à água insalubre.
- Entre mil e um milênio, a água potável básica aumentou em democracias, mas água segura continua atrasada em muitos países de renda baixa e média.
- Em quase cem países de economias em desenvolvimento, democracias mostram vantagem modesta na disponibilidade de água básica, porém ficam atrás em acesso a água segura.
- Entre 2000 e 2024, oitenta e um dos noventa países com dados mostraram ganhos em água potável segura, mas a diferença entre democracias e não democracias tem ficado maior com o tempo.
- Dados usados vêm do Programa Conjunto OMS/UNICEF para Monitoramento da Água Potável (JMP), que define água segura como fonte melhorada disponível no local, sempre que necessária, e sem contaminação.
A democracia ajuda a levar água para a população em termos gerais, mas estudo recente aponta que seu impacto sobre a água potável segura é menor do que se esperava. A pesquisa reúne dados de 96 países de economias em desenvolvimento entre 2000 e 2024.
Conduzido por Evan Lieberman, professor do MIT, o trabalho analisa como a forma de governança se relaciona com o acesso à água. A partir de 39.000 regressões, verificou-se que democracias elevam em maior grau o acesso a água básica, mas não a água segura.
Metodologia e principais resultados
Os pesquisadores utilizaram dados da World Health Organization/UNICEF para medir disponibilidade básica de água e água segura, com critérios definidos de acesso e qualidade. Os resultados mostram ganhos em água básica, porém menor vantagem em água segura em democracias.
Entre os 96 países, 81 dos 90 com dados repetidos tiveram melhora no acesso à água segura entre 2000 e 2024. Ainda assim, democracias mostram menor avanço rumo à universalização do acesso à água potável segura diante de não democracias.
O que pode explicar
Segundo Lieberman, a visibilidade facilita ações públicas em serviços visíveis, como infraestrutura de água. A água segura, por ser menos perceptível, recebe menos pressão política, dificultando a resposta governamental.
O estudo sugere que a dinâmica de incentivos muda com a invisibilidade da água segura. Mesmo assim, há espaço para que a sociedade civil e iniciativas não governamentais influenciem políticas públicas voltadas à qualidade da água.
Implicações para políticas públicas
Os pesquisadores destacam que não é suficiente doar água disponível; é preciso monitorar qualidade, rejeitar poluição e manter tratamento adequado. A questão envolve governança, fiscalização e investimento contínuo.
Lieberman afirma que democracias continuam relevantes para o desenvolvimento digno, desde que encontrem maneiras de alinhar incentivos com metas de água segura, envolvendo cidadãos e organizações da sociedade civil.
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