- A reportagem questiona a necessidade da mineração em alto-mar e destaca riscos desconhecidos para saúde e biodiversidade dos oceanos, além de enfraquecer o argumento econômico a favor do projeto.
- O fundo do mar internacional é considerado patrimônio comum global, devendo qualquer exploração trazer benefício a toda a humanidade.
- Relatórios recentes contestam a demanda por minerais específicos para a transição energética, sugerindo que a mineração em alto-mar não é economicamente viável em larga escala.
- Apoio financeiro tende a diminuir: 82 instituições financeiras adotaram políticas de exclusão ou restritivas à mineração em alto-mar, somando cerca de US$ 27,5 trilhões em ativos sob gestão.
- Exames de projetos, como o da Metals Company, apontam superestimação de benefícios e custos ocultos; conclusão de que abandonar o empreendimento seria a atitude responsável para evitar riscos financeiros.
A argumentação a favor da mineração em grandes profundidades está perdendo força, aponta avaliação recente. O texto questiona por que realizar extração comercial no leito oceânico antes de entender seus impactos na biodiversidade e na saúde do ecossistema.
A matéria destaca que o leito internacional, considerado bem comum da humanidade, não pertence a nenhum país. Por isso, qualquer exploração deveria beneficiar a todos, mas o benefício econômico ainda não aparece de forma convincente.
Especialistas destacam incertezas sobre o ambiente das profundezas e os impactos acumulados da atividade. Entrevistas com pesquisadores reforçam a necessidade de mais dados antes de qualquer decisão de operação.
Finanças sob escrutínio
Relatórios recentes mostram fragilidades no argumento econômico. A Benchmark Mineral Intelligence aponta que a demanda futura pode sofrer mudanças, envolvendo transição de tecnologias de bateria e variações de demanda, o que enfraquece a viabilidade do projeto em larga escala.
Outro estudo, encomendado pela Greenpeace, analisa modelos de receitas e conclui que, mesmo com previsões otimistas, a partilha de benefícios para países africanos seria muito baixa, dificultando a justificativa econômica.
82 instituições financeiras adotaram políticas que excluem, restringem ou expressam preocupação com a mineração no oceano. O montante sob gestão soma aproximadamente 27,5 trilhões de dólares, revelando um movimento financeiro significativo contra a atividade.
Implicações e próximos passos
A análise publicada pelo Deep Sea Mining Campaign (DSMC), com consultoria de especialistas em mineração terrestre, aponta que o estudo de pré-viabilidade da The Metals Company pode superestimar custos e subestimar ganhos. Segundo o relatório, seguimentos que exigem transparência financeira indicam que o projeto não seria lucrativo.
Um terceiro relatório, realizado para Seas at Risk e DSMC, revela resistência crescente de financiadores. Segundo o material, 39 instituições já possuem políticas explícitas contra o financiamento, com adesão recente de grande parte das regras.
O debate ocorre em meio a debates sobre legalidade internacional e ao uso de minerais que compõem o património comum da humanidade. Além disso, há preocupações sobre securitização de cadeias de suprimento críticas e tensões geopolíticas, inclusive com declarações de apoio a mineração em águas internacionais.
A discussão acrescenta a agenda de regulações promovidas pela Autoridade Internacional dos Sares (ISA), no marco de normas finais para a atividade. O objetivo é manter a atividade sob padrões que assegurem responsabilidade ambiental, social e financeira.
O tema ganha relevância à medida que mais instituições financeiras revisam riscos associados ao setor. Especialistas destacam que gerenciar esses riscos financeiros é parte essencial da avaliação de qualquer projeto de mineração no oceano profundo.
O texto destaca que o momento atual sugere cautela: mesmo com pressões de atores de mercado, o cenário financeiro para a mineração em profundezas permanece duvidoso, exigindo provas consistentes de rentabilidade sem comprometer ecossistemas.
Fonte: avaliações de Greenpeace, Seas at Risk, DSMC e Benchmark Mineral Intelligence; análises de instituições financeiras e de especialistas do setor.
Entre na conversa da comunidade