- Em Delhi, as temperaturas da tarde passam de quarenta graus, chegando a quarenta e cinco Celsius, afetando trabalhadores informais ao ar livre.
- Aproximadamente noventa por cento da força de trabalho da Índia é informal, sem contratos ou proteção, com muitos dependentes de ganhos diários.
- Trabalhadores como Harish Chandra e Mohammad Umar continuam na rua mesmo sob calor intenso, relatando cansaço, desidratação e risco à saúde.
- A cidade tem planos de enfrentamento ao calor, com avisos por cores, pontos de água e centros de resfriamento, porém a implementação é desafiadora.
- Estudos internacionais indicam impactos econômicos e de horas de trabalho: redução prevista de horas de trabalho no país e perdas significativas; médicos alertam para desidratação e exaustão em jornadas longas.
Em Delhi, o calor de 45C + é rotina em pleno mercado movimentado. Nesta tarde, duas realidades coexistem: dentro de salas iluminadas e climatizadas, clientes circulam entre roupas; fora, vendedores ambulantes, motoristas de riquixá a pedal e carrinhos de sorvete trabalham sob o sol.
Para milhões de trabalhadores informais da cidade, ficar longe do calor não é opção. O país tem quase 90% da sua força de trabalho em informalidade, com poucos contratos ou garantias. Muitas pessoas dependem do trabalho externo para o sustento diário.
Harish Chandra, 52 anos, pedala riquixá pelas vias da capital, enfrentando o desgaste térmico. Ao buscar água em uma torneira pública, ele encontra uma sombra estreita para descansar. O corpo cede com frequência durante o trajeto.
Chandra relata que os verões de Delhi ficaram mais difíceis a cada ano. O dia começa às9h, ainda suportável, mas ao meio-dia o calor aperta. Mesmo assim, parar de trabalhar significa não ganhar dinheiro nem alimentar a família.
Ele enviou a esposa e os três filhos de volta para o vilarejo de Bihar, onde o calor também existe, mas há mais ventilação e áreas abertas. Para trabalhadores ao ar livre, o verão é uma luta de sobrevivência anual.
Impactos econômicos e de saúde
Desde meados de maio, Delhi e regiões vizinhas registram temperaturas acima de 40C, com picos de 45C no período da tarde. Especialistas apontam que o calor extremo tende a durar mais e ser mais imprevisível, ampliando riscos.
A urbanização intensifica o problema: o efeito ilha de calor, com asfalto, tráfego e pouca vegetação, mantém a cidade mais quente que áreas rurais próximas. Autoridades emitem avisos regulares de calor.
O primeiro-ministro Narendra Modi pediu, por meio de X, que pessoas se mantenham hidratadas e evitem exposição no período mais quente, especialmente crianças, idosos e trabalhadores ao ar livre. Medidas locais incluem alertas coloridos e centros de resfriamento.
Mas cumprir as recomendações é complicado. Mesmo com renda diária, o aluguel e a alimentação devem ser pagos. Mohammad Umar, 50, espera por passageiros em um tuk tuk desde a manhã e relata episódios de desmaio e necessidade de banhos frequentes.
Perder um dia de trabalho pode custar entre 500 e 700 rúpias, o que aumenta a pressão sobre economias familiares já frágeis. O custo diário de não trabalhar se soma às necessidades básicas.
Estudos da OIT projetam que o estresse térmico reduza horas trabalhadas na Índia em até 5,8% até 2030, com agrícola e construção entre os setores mais afetados. Um estudo da Lancet Countdown estima perdas de horas de trabalho e de bilhões de dólares.
Profissionais de saúde destacam riscos como desidratação, queda de pressão, estresse renal e exaustão, com sinais de alerta que devem ser monitorados atentamente. Em situações prolongadas, a recuperação pode ficar comprometida.
Realidade habitacional e cotidiano
Grande parte da força de trabalho migrante vive em assentamentos densos, com energia elétrica instável, ventilação precária e sem ar-condicionado. Casas de chapa metálica e plástico absorvem calor durante o dia e liberam-no lentamente à noite.
Especialistas alertam que doenças ligadas ao calor se agravam quando a temperatura permanece alta durante a noite, impedindo a recuperação do corpo. Mulheres costumam conciliar trabalho externo com tarefas domésticas intensas.
Sanjeeda, 40 anos, relata que ficou acamada apenas com o calor em maio. Ao chegar aos locais de trabalho, os progressos eram dificultados pela sudorese e calor intenso. Alguns empregadores oferecem água ou espaço com ventilador.
Mesmo diante do calor, o trabalho persiste para sustentar a família. Sanjeeda afirma que, independentemente da temperatura, as tarefas precisam ser realizadas.
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