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Cidades africanas aquecem: novo livro aponta árvores como solução

Livro destaca que árvores e espaços verdes são resposta essencial a calor, inundações e desigualdade nas cidades africanas

A view of Kigali, Rwanda’s capital. The book notes that Rwanda is one of the few African countries with official guidance on urban forests. Image by Pacifique Gatete via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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  • A África tem população estimada em quase 1,5 bilhão de pessoas e urbanização rápida, com quase 80% do crescimento futuro nas cidades.
  • À medida que o clima aquece, dias e noites quentes devem ficar mais frequentes, e cidades costeiras podem enfrentar maior risco de inundações.
  • Autoridades locais têm recorrido a árvores e espaços verdes como parte da solução, mas a eficácia e a sustentabilidade a longo prazo ainda levantam perguntas.
  • Um livro recente reúne 34 estudos de 14 países africanos, colocando florestas urbanas e áreas verdes no centro de ações contra clima, biodiversidade e desigualdade.
  • As lições destacam priorizar espécies indígenas, combinar com exemplares exóticos bem adaptados, proteger áreas verdes existentes e envolver a comunidade em iniciativas como Nairobi, Kigali e Joanesburgo.

O livro Urbano Florestas e Espaços Verdes na África apresenta árvores e áreas verdes urbanas como resposta central às mudanças climáticas, à perda de biodiversidade e à desigualdade nas cidades africanas. Ele reúne 34 estudos de 14 países, com foco em soluções práticas e lições para gestão urbana.

Autoras e autores, em sua maioria africanos, analisam iniciativas como restauração de biodiversidade em Kigali, no Ruanda; florestas Miyawaki em Nairóbi, no Quênia; e reflorestamento de áreas degradadas em Joanesburgo, na África do Sul. O volume tem 170 páginas e reúne contribuições de 74 especialistas.

O lançamento é da Johannesburg City Parks and Zoo (JCPZ). O livro defende que arborização e infraestrutura verde ajudam a resiliência climática, além de aportar benefícios à saúde, à qualidade da água e à biodiversidade, indo além da simples estética.

O que o estudo revela sobre a prática urbana

Casos em várias regiões do continente destacam o papel de árvores na adaptação ao calor extremo, à elevação de temperaturas urbanas e a inundações associadas a chuvas e ao aumento do nível do mar. A abordagem vai além do plantio, buscando mix de espécies e manejo integrado.

Entre os destaques, Joãobiosburgo enfatiza a troca de plantas exóticas por espécies nativas, com projetos comunitários que promovem restauração de vegetação e reabilitação de rios. A ideia é equilibrar benefícios ecológicos com o valor comunitário.

O Sudeste africano, incluindo Nairobi e Kigali, é apresentado como referência de governança: proteção de bosques urbanos, educação ambiental e participação comunitária são chaves para manter áreas verdes estáveis e acessíveis.

Lições para o Leste, Oeste e outras regiões

No Leste, Nairobi já implementa florestas urbanas de pequena escala como infraestrutura de saúde pública e clima. Em Kigali, parques ecocomunitários demonstram impacto social e ambiental, servindo como modelo de governança local.

Na África Ocidental, o foco recai sobre proteção de espaços existentes, planejamento de participação comunitária e acesso equitativo às áreas verdes. Em Dakar, ações comunitárias com jovens ampliam a cobertura vegetal sem comprometer a qualidade de vida.

O estudo também ressalta tensões: expansão urbana pode ameaçar áreas verdes; vandalismo e manutenção são desafios em algumas cidades ocidentais. A obra aponta caminhos para enfrentar essas dificuldades com estratégias de longo prazo.

Quem faz parte do debate e por quê

Os autores enfatizam a importância de espécies nativas e práticas ecológicas locais, ao lado de algumas espécies exóticas bem adaptadas que atendem às necessidades das comunidades. A ideia é criar mosaicos arbóreos que valorizem a diversidade biológica.

Especialistas destacam que árvores funcionam como infraestrutura viva, contribuindo para amenizar calor, melhorar qualidade do ar e apoiar a saúde mental. O livro sugere que governos protejam e restaurar áreas naturais dentro das capitais.

Contexto global e impactos

O estudo utiliza dados da Sexta Avaliação do IPCC para situar o tema na agenda mundial: calor extremo e cheias aumentarão com as mudanças climáticas. A obra vincula ações locais de reflorestamento a metas de resiliência climática em nível continental.

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