- Em 2025, foram removidas 603 barreiras obsoletas em rios europeus, incluindo barragens, comportas e estruturas de drenagem, reunindo mais de 3.740 quilômetros de rios reabertos.
- Na Macedônia do Norte, uma barreira de concreto de 53 metros por 30 metros no rio Pčinja foi demolida no fim de 2025, após atuação da organização Eko-svest; foi a primeira remoção de grande escala no país.
- A remoção permitiu que pelo menos 10 espécies de peixe dessem entrada aos trechos upstream para reprodução, incluindo quatro espécies endêmicas.
- A iniciativa se dá no contexto da meta da União Europeia de restaurar pelo menos vinte e cinco mil quilômetros de rios até 2030; até 2025 já havia avanço de 15% dessa meta.
- Especialistas destacam que a remoção de barreiras é uma das “grandes vitórias ecológicas” atuais, contribuindo para ecossistemas mais saudáveis, proteção contra enchentes, segurança hídrica e resiliência climática.
A barragem de concreto que bloqueava o rio Pčinja, em Kumanovo, Norte da Macedônia, foi demolida no fim de 2025 após anos de pressão ambiental. A estrutura de 53 metros de cumprimento e 30 metros de largura impedia o fluxo livre de água e a migração de peixes por pelo menos 70 quilômetros upstream. A obra era vista como risco à segurança pela comunidade local Shuplji Kamen.
A remoção foi conduzida pela organização ambiental Eko-svest, marcando a primeira eliminação de grande porte desse tipo no país. A ação faz parte de um movimento regional que busca restaurar rios europeus para favorecer espécies nativas e processos ecológicos naturais.
Panorama europeu
Segundo o relatório Dam Removal Europe de 2025, foram removidas 603 barreiras obsoletas, entre barragens, weirs e passagens, em rios da Europa no ano passado. A medida reconectou mais de 3.740 quilômetros de cursos d’água, estabelecendo um recorde anual de remoção de diques no continente.
A iniciativa é elogiada por especialistas, que apontam benefícios para a biodiversidade, pesca e resiliência hídrica. Chris Baker, da Wetlands International Europe, reforça que barreiras obsoletas não trazem ganho algum e prejudicam os rios.
Contexto regional e impactos
Desde 2020, quase 2.300 estruturas foram removidas na Europa, com maior concentração na Suécia, Finlândia e Espanha. Islândia e a própria Norte Macedônia realizaram suas primeiras remoções em 2025, expandindo o alcance regional da iniciativa.
O efeito sobre a fauna aquática é significativo: a remoção facilita a migração de espécies como o Vardar bitterling, uma espécie endêmica na região, além de beneficiar outras 10 espécies de peixe. A recuperação do ecossistema fluvial também contribui para a saúde dos habitats de várias espécies.
Metas e perspectivas
Em 2024, a União Europeia estabeleceu a meta de devolver 25 mil quilômetros de rios a condições de fluxo livre até 2030. Em 2025, 15% dessa meta já havia sido alcançada, com avanços constantes em diversos países.
Especialistas ressaltam que rios saudáveis funcionam como infraestrutura natural, proporcionando proteção contra cheias, segurança hídrica, biodiversidade e resiliência climática. A remoção de barreiras continua a ser vista como uma estratégia de benefício público de curto prazo e alto impacto ecológico.
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