- O governo do presidente Donald Trump propôs, para 2027, cortes de cerca de 1,1 bilhão de dólares no orçamento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), com eliminação de dezenas de programas e expectativa de mais de mil vagas extintas.
- Um projeto de satélites para observar clima e atmosfera, em parceria com a NOAA, foi surpreendido com o cancelamento de três de cinco instrumentos pela nova administração, alegando desperdício de dinheiro e alarmismo climático.
- Além dos cortes, há atrasos na liberação de recursos, o que tem atrasado pesquisas, a implementação de regulações e o funcionamento de atividades ligadas a previsões meteorológicas e gestão de pescarias.
- Especialistas alertam que os cortes podem reverter décadas de avanços em gestão de pesquerias, dados populacionais de espécies e conservação de habitats, afetando comunidades costeiras.
- O orçamento também propõe transferir funções de proteção de espécies e mamíferos marinhos para o Serviço de Pesca e Vida Selvagem, decisão criticada por especialistas por ampliar a desconexão com a gestão de atividades oceânicas.
O orçamento proposto pelo governo dos EUA para 2027 prevê cortes significativos na área de pesca e pesquisa climática, afetando a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). A medida acompanha um conjunto de reduções amplas na agência, que já enfrenta desafios orçamentários e de pessoal.
Stephen Volz, que trabalha há quase uma década com instrumentos de observação na NOAA, afirma que o programa de satélites geostacionários, capaz de monitorar condições atmosféricas, padrões climáticos e tempo, foi abruptamente impactado após a volta de Donald Trump ao poder em 2025. Três dos cinco instrumentos do projeto foram cancelados.
Segundo Volz, as eliminações atingiram sensores que mediam poluentes atmosféricos, rastreavam relâmpagos para prever furacões e monitored ocean color, útil para detectar eventos como blooms de algas e variações de salinidade. A administração classificou esses itens como gastos desnecessários, alegando tratar-se de temas de alarmismo climático.
A decisão se insere em um esforço mais amplo percebido por especialistas como um enfraquecimento de NOAA, agência criada para prever clima, gerenciar pescarias e proteger fauna marinha. O governo não respondeu aos questionamentos da Mongabay sobre o tema.
No orçamento de 2027, o governo também propõe cortes adicionais, com foco em programas de gestão de pescarias, pesquisas climáticas e conservação costeira. A medida prevê reduzir em cerca de 1,1 bilhão de dólares o orçamento de NOAA, o que pode eliminar mais de mil vagas.
Para alguns especialistas, a redução de recursos atrasaria trabalhos que hoje já enfrentam gargalos de repasse de verbas. Em documentos oficiais, o atraso de repasses tem sido apontado como entrave à continuidade de pesquisas e atividades regulatórias.
A administração argumenta que o repasse às agências tem ocorrido de forma oportuna, ainda que por períodos distribuídos ao longo do ano fiscal. NOAA não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela Mongabay.
Críticos destacam que cortes à NOAA Fisheries podem reverter avanços de décadas em gestão de estoques pesqueiros. O orçamento proposto também sugere transferir funções de proteção de espécies e mamíferos marinhos para o Serviço de Peixes e Vida Selvagem, do Interior, alegando maior eficiência, o que tem gerado ceticismo entre especialistas.
Entre pescadores e associações do setor, há receios de que a redução de pessoal dificulte a implementação de regras pesqueiras e a análise de dados de estoque, impactando a atividade econômica e a segurança alimentar de comunidades costeiras.
Em abril, ocorreu a 50ª aniversário da Magnuson-Stevens Act, marco da conservação pesqueira nos EUA. Hoje, a perspectiva de cortes ameaça manter a trajetória de proteção de estoques que, segundo especialistas, garantiu a sustentabilidade do setor nos últimos 20–30 anos.
Organizações ambientais e consultorias de pesca classificam as propostas como preocupantes. Mesmo com possíveis ajustes no Congresso, a sinalização de novos cortes persiste, elevando o temor de desorganização de dados e atrasos em pesquisas críticas para pesca, clima e ecossistemas marinhos.
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