- Estudos mostram que campos eletromagnéticos (EMFs) de cabos submarinos de parques eólicos offshore podem provocar respostas comportamentais e de desenvolvimento em tubarões e raias do fundo do oceano, variando por espécie e estágio de vida.
- Experimentos com tubarão-tescão (Scyliorhinus canicula) e raia-de-dezesseis (Raja clavata) indicaram efeitos diferentes conforme o estágio de vida, desde embriões até adultos.
- A pesquisa sugere que EMFs podem aumentar o risco de predação na fase inicial, ao alterar comportamentos naturais de prevenção de predadores.
- Levantamentos com eDNA detectaram DNA de cinco espécies de tubarões e raias ao redor de parques eólicos, sugerindo que essas áreas podem funcionar como refúgios, embora haja lacunas de conhecimento.
- Estudo comparou cabos em corrente alternada (AC) e contínua (DC); EMFs de DC mostraram efeitos comportamentais mais sutis, como menor atividade, o que pode impactar atividades como forrageio e reprodução a longo prazo.
Os cabos de energia de parques eólicos offshore podem interferir no sistema sensorial de tubarões e raias, conforme um conjunto de estudos conduzidos na Holanda. O projeto Elasmopower avaliou efeitos de campos eletromagnéticos (EMF) emitidos por cabos submarinos em espécies que vivem próximo ao fundo do mar.
As pesquisas envolveram tubarões-gato-comum e raia-jabiró, expostas a EMFs semelhantes aos próximos de cabos operacionais. Em estágios embrionário, juvenil e adulto, as respostas variaram conforme espécie e desenvolvimento, apontando sensibilidade distinta aos campos.
Os resultados indicam que EMFs podem aumentar o risco de predação na fase inicial, ao alterar comportamentos naturais de fuga. Em paralelo, levantamentos de eDNA mostraram a presença de várias espécies de tubarões e raias ao redor de fazendas eólicas, sugerindo possíveis refúgios, embora haja lacunas de conhecimento.
As análises com amostras de água detectaram cinco espécies em quatro locais na região norte do Mar do Norte, próximo a parques eólicos holandeses. Pesquisas sugerem que áreas protegidas em virtude de restrições de pesca podem favorecer regeneração de ecossistemas bentônicos.
Além disso, o estudo comparou cabos de corrente alternada (AC) e contínua (DC). A interação entre os tipos de sistema e EMFs pode influenciar reações comportamentais, com impactos potenciais na alimentação e reprodução a depender do estágio de vida.
Ontem, em Colombo, Sri Lanka, no Sharks International 2026, o pesquisador Erwin Winter destacou que cabos submarinos de alta tensão transmitem EMFs detectáveis por Elasmobranchii, motivando discussões sobre mitigação conforme a expansão da infraestrutura.
Especialistas defendem medidas como enterramento mais profundo, agrupamento de cabos para reduzir o tamanho do EMF e readequação de rotas para evitar habitats sensíveis, enfatizando que a conservação marinha não precisa entrar em conflito com a expansão da energia renovável.
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