- Stevie, filhote de tamanduá-de-escama, foi resgatado em 2021 nas ruas de Joanesburgo, África do Sul, após integração com o tráfico ilegal.
- O cuidado especializado durou seis meses, com alimentação à base de fórmula de leite de gato e orientação para forragear.
- Após ser cuidado por profissionais, Stevie foi liberado na vida selvagem em 2022, no Manyoni Private Game Reserve, em Zulândia.
- O resgate aconteceu durante uma operação de fiscalização, com apoio da African Pangolin Working Group, instituição que trabalha para a recuperação de pangolins traficados.
- A reabilitação bem-sucedida faz parte de um esforço maior para devolver pangolins à natureza, com casos como o de Ditsi levando ao nascimento de filhotes após a soltura.
Stevie, filhote de pangolim Temminck, foi resgatado em 2021 nas ruas de Joanesburgo, África do Sul, vítima do tráfico ilegal. Após seis meses de tratamento especializado, recebeu alimentação com fórmula de leite de gato e aprendizado de forrageio natural.
O resgate envolveu a veterinária Kelsey Skinner, que conduziu os cuidados, e oficiais da Polícia de África do Sul (Saps), com participação de Steven Koen, comandante de K9, na captura de um traficante. A operação ocorreu após várias negociações intensas.
Alexis Kriel, cotitular da African Pangolin Working Group (APWG), explica que o filhote foi encontrado sem a mãe, que não apareceu. Pele sinuosa, o pangolim enfrenta grande risco de extinção, apesar de ações de resgate mais frequentes na região.
A jornada de reabilitação
Stevie permaneceu sob observação na Johannesburg Wildlife Veterinary Hospital. Skinner realizou exames, aferiu peso, tratou desidratação e forneceu suporte nutricional. O animal respondeu bem ao tratamento, mantendo comportamento alerta.
Com o avanço, o filhote passou a aprender técnicas de forrageio em habitat natural, sob supervisão diária. Ao atingir o peso de 6 kg, foi encaminhado para o local de soltura no Manyoni Private Game Reserve, em Zulândia, em 2022.
O processo de reabilitação envolve ciclos de avaliação até confirmar percepção de comportamento natural e peso adequado. A liberação dependia de deslocamento para o ambiente selvagem com garantias de sobrevivência.
Stevie recebeu monitoramento por tag de telemetria após a soltura. O objetivo é acompanhar o retorno do animal ao ambiente natural e a adaptação à dieta de campo.
Contexto ampliado
Pangolins africanos são alvo do tráfico internacional, impulsionado pela demanda por escamas e carne em diversos mercados, especialmente na Ásia. A África tornou-se foco principal de atividades criminosas, com operações de fiscalização ampliadas nos últimos anos.
Dados de entidades ambientais indicam que mais de mil pangolins já foram traficados entre 2000 e 2016, com novas apreensões após 2016. A atividade ilegal continua mesmo com o banimento internacional de comércio em 2016.
Segundo a APWG, a recuperação de pangolins traficados é complexa, exigindo tratamento médico e reabilitação cuidadosa. A devolução à vida silvestre é vista como parte essencial dos esforços de conservação.
Nicci Wright, co-presidente da APWG, destaca que muitos animais chegam a áreas de soltura debilitados ou com danos psicológicos. O trabalho de especialistas busca reduzir danos e ampliar chances de sobrevivência.
Kriel ressalta que, embora haja sucesso, muitos pangolins ainda são capturados ou passam por processos perigosos antes da soltura. O objetivo é salvar o maior número possível sem perder a qualidade do cuidado.
A experiência com Stevie inspira novas iniciativas de reabilitação no continente. A APWG aponta que várias fêmeas liberadas já deram origem a filhotes, demonstrando efeito positivo de longo prazo.
Entre na conversa da comunidade