- O ruído do tráfego de navios no estreito de Gibraltar está dificultando a comunicação de baleias-piloto de barbicha grande, especialmente para chamadas de longo alcance.
- Em estudo com aproximadamente 250 indivíduos residentes na região, pesquisadores prenderam dispositivos em 23 baleias para analisar mais de 1.400 chamadas em quatro tipos diferentes.
- As baleias conseguiram aumentar o volume apenas de chamadas de curto alcance e de alta frequência (resposta de Lombard), mas não puderam compensar para chamadas de baixo nível de frequência ou de dois componentes.
- As chamadas de baixo alcance e de dois componentes, usadas para manter coesão do grupo e localizar indivíduos à distância, já eram emitidas no maior nível possível, o que sugere limitação diante do ruído.
- Os resultados levantam preocupações de conservação não apenas para as baleias-piloto, mas também para outras espécies da região, como as orcas, que podem enfrentar impactos semelhantes com o tráfego marítimo.
O ruído constante do tráfego marítimo está abafando as chamadas de baleias-piloto de barbatanas compridas no estreito de Gibraltar, entre Marrocos e Espanha. A descoberta aponta que esse fenômeno pode isolar os animais do grupo.
A pesquisa acompanhou uma população residente de cerca de 250 exemplares e usou dispositivos de gravação com ventosas presas a 23 indivíduos. Foram analisadas mais de 1.400 vocalizações em quatro categorias distintas.
Metodologia
Os cientistas classificaram os sons e compararam as situações de silêncio com o ruído de navios. O estudo revela que as baleias ajustam chamadas de curto alcance elevando o volume, mas há dificuldades para chamadas de longo alcance.
O que mudou com o ruído é a resposta Lombard, ou seja, aumentar o volume em ambientes barulhentos. Em chamadas de alta frequência de curto alcance, o ajuste ocorreu com eficácia.
Resultados e implicações
Chamadas de baixa frequência e chamadas com dois componentes tiveram saída máxima e apresentaram resposta Lombard limitada, o que reduz a comunicação entre membros distantes do grupo.
A pesquisadora principal destaca que, se a comunicação falhar, as baleias podem precisar ficar mais próximas ou perder eficácia na coesão do grupo, com potenciais impactos na navegação e na localização de pares.
Conexões com outras espécies
O estudo também sugere que outros cetáceos da região, como orcas, podem enfrentar o mesmo desafio. Além da dificuldade de manter o grupo unido, o ruído contribui para o risco de colisões com navios e impactos na alimentação.
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