- Documentos do Ministério da Defesa de 1997 sugerem que químicos de combate a incêndio eram drenados no sistema de águas pluviais da antiga base RAF Upper Heyford, hoje alvo de desenvolvimento.
- PFAS, conhecidos como químicos eternos, podem ter contaminado rios próximos; seis riachos testados apresentaram níveis elevados de PFOS, com 27.823 ng/l em um resultado, muito acima do padrão de referência de 0,65 ng/l.
- Moradores e o deputado Calum Miller solicitam testes de água, solo e sangue das pessoas para entender a extensão da contaminação e o impacto à comunidade.
- A atual proprietária, Dorchester Living, tem projeto para construir 9 mil casas no local e afirma que não houve testes prévios de PFAS.
- Autoridades ambientais dizem que áreas militares são pontos críticos para PFAS; a Agência Ambiental (Environment Agency) vai investigar, mas a responsabilidade pelo terreno contaminado é da gestão local.
O conteúdo de documentos históricos do Ministério da Defesa (MOD) aponta que produtos químicos usados no combate a incêndios teriam sido despejados no sistema de drenagem na antiga base aérea da RAF Upper Heyford, hoje alvo de propostas de desenvolvimento. As informações foram obtidas pela BBC e voltam a colocar em debate a contaminação por PFAS, conhecidos como forever chemicals, em áreas próximas.
Os relatórios, datados de 1997, descrevem o local de treino de combate a incêndios próximo a uma lagoa de combustível. Eles apontam a possibilidade de contaminação por gasolina, óleo, lubrificantes, solventes e os próprios agentes de combate a incêndio, que teriam sido lançados na drenagem de águas pluviais. A Base de Heyford fica no Condado de Oxfordshire, no sul da Inglaterra.
Grupos locais e o deputado Calum Miller, de Bicester e Woodstock, defendem testes imediatos na água, no solo e no organismo humano para avaliar a extensão da poluição e seu impacto na comunidade. Miller foi contemplado com os documentos pelo ministro da Defesa e estima encontro com autoridades de DEFRA e do Departamento de Saúde para tratar do tema com urgência.
A organização comunitária Gallos Brook já realiza extratos em rios que nascem sob a antiga base. Testes conduzidos por moradores e pela Environment Agency (EA) indicam níveis elevados de PFOS, uma das substâncias usadas em foam de combate a incêndios. PFOS é classificado como potencialmente carcinogênico.
Entre as evidências históricas destacadas está uma avaliação de 1997 que alerta sobre riscos à saúde humana por contato com solo e água contaminados e sobre possíveis impactos na fauna local, incluindo animais que pastam na área. Não há registro de testes ou remediação de PFAS antes de 1997 no local.
A proprietária atual do terreno, Dorchester Living, informou que há interesse de desenvolvimento que prevê cerca de 9 mil moradias, mas admite não ter encontrado registros de testes anteriores para PFAS. A empresa mantém que questões sobre contaminação devem ser tratadas de forma adequada conforme a legislação.
O que vem a seguir envolve ações regulatórias e de monitoramento. moradores acompanham o desenrolar da investigação, pedem análises de água e solo, e manifestam disposição para participar de exames de sangue, se houver disponibilidade. O caso também envolve a agência ambiental local e a administração municipal.
A Environment Agency afirmou que vai apurar relatos de poluição, mas ressaltou que a competência sobre terrenos contaminados cabe à autoridade local. A Cherwell District Council informou não haver evidências de risco imediato à saúde dos residentes.
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