- A APRIL reduziu a linha de corte de desmatamento para 31 de dezembro de 2020 e passou a indicar madeira de dois fornecedores ligados a grandes perdas florestais, a IFP e a Mayawana.
- A medida visa enfrentar escassez de fibra após o governo revogar permissões de quatro fornecedores de longinuidade, afetando cerca de 15% do fornecimento de madeira em Riau.
- Ambientalistas dizem que a mudança enfraquece salvaguarda de não desmatamento e pode permitir acesso a mercados sem reparação de danos passados.
- O FSC está revisando as políticas de abastecimento atualizadas da APRIL, mantendo a cautela sobre possíveis impactos no processo de reassociação suspenso desde 2025.
- Partes divergentes: defensores afirmam que a prática pode estimular mudanças setoriais, enquanto críticos veem risco de impunidade e questionam o uso do mecanismo de remediação.
A gigante de celulose APRIL decidiu reduzir seus compromissos de combate ao desmatamento e passou a selecionar madeira de duas empresas associadas a grandes perdas florestais recentes. A mudança ocorre enquanto a empresa tenta retornar ao selo FSC, que suspendeu o processo de reassociação. O anúncio foi feito no fim de maio.
A partir de 2020, a nova política permite que APRIL utilize madeira de PT Industrial Forest Plantation (IFP) e PT Mayawana Persada (Mayawana). Segundo a empresa, a medida responde a escassez de fibra após o governo da Indonésia revogar licenças de quatro fornecedores, impactando cerca de 15% de seu abastecimento na província de Riau.
Dados de Nusantara Atlas indicam que IFP e Mayawana somaram perdas de quase 80 mil hectares entre 2015 e 2024, com mais de 54 mil hectares desmatados após 2020. Números superiores aos de outras empresas florestais do país, segundo o monitoramento. Ambientalistas afirmam que a flexibilização enfraquece salvaguardas de não desmatamento.
FSC em avaliação
O FSC confirmou à Mongabay que revisa as políticas de abastecimento atualizadas da APRIL. A organização ressaltou que precisa analisar as evidências antes de decidir, e destacou a necessidade de avaliação para evitar impactos no andamento do processo de reassociação.
A parceria com o FSC envolve o Direito de empresas de retornar após sanar danos ambientais e sociais. APRIL se retirou do FSC em 2013, após denúncias de desmatamento e conflitos sociais na Indonésia. O retorno ficou suspenso em 2025 devido alegações de ataque a membros de uma comunidade indígena.
Remédio, amnistia ou avanço?
Grupo ambientalista vê tensão entre a filosofia do FSC e a nova estratégia de fornecimento. A ONG Earthsight afirma que o Remedy Framework foi criado para estimular melhorias após a reparação de danos, não para perdoar danos recentes sem medidas de restauração. Defensores de APRIL afirmam que a mudança alinha padrões com normas internacionais.
Críticos destacam que as duas fornecedoras ainda não apresentaram esforços significativos de restauração. Outra voz, ex-diretor-geral do FSC, sustenta que é possível, com supervisão independente, incentivar mudanças no setor de celulose na Indonésia se as empresas interromperem a conversão de florestas e adotarem conservacionismo.
O FSC diz que o processo de remediação depende de confiança entre as partes. Enquanto isso, a controvérsia pode influenciar o caminho da APRIL na busca de reassociação, com consequências para o papel da empresa no setor florestal da região. A decisão final do FSC sobre o relacionamento da APRIL ainda não foi anunciada.
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