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Povos indígenas no Camboja alegam ter acesso bloqueado a sítios sagrados

Indígenas Kuy denunciam invasão de terras sagradas por Santana Agro; cerca de 200 manifestantes bloquearam tratores em protesto pela proteção da área

Ruos Lim, 71, a Kuy Indigenous community leader, harvests corn he planted at the L4 station in Beng Per Wildlife Sanctuary
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  • Os Kuy, povo indígena de Chom Penh, atuam para proteger a floresta e reivindicar direitos sobre terras ancestrais na região de Beng Per, no norte de Camboja.
  • A equipe de patrulha, liderada por Ruos Lim, combate o desmatamento ilegal e a abertura de terras para uso agroindustrial desde 2018, mantendo atividades como manejo da floresta, caça de madeira ilegal e reconhecimento de trilhas.
  • A Santana Agro Products Co. Ltd., empresa de castanha de caju, é acusada pelos Kuy de invadir terras para ampliar suas operações, acusação a que a empresa nega.
  • Em 2010, a área de Chom Penh foi designada como área protegida comunitária, ampliada em 2020 para cerca de 3.500 hectares, dentro da Reserva da Vida Selvagem Beng Per.
  • Dados de satélite do Global Forest Watch indicam que a área gerida pela comunidade perdeu cerca de 7% de sua cobertura florestal primária entre 2002 e 2024, bem menos que a área ao redor, que teve queda de aproximadamente 76%.

Em Preah Vihear, Cambodia, comunidades Kuy acusam que seus sítios sagrados estão sendo invadidos por uma empresa cashew, Santana Agro Products Co. Ltd. A denúncia envolve a disputa por terras no interior da floresta de Chom Penh, dentro da Beng Per Wildlife Sanctuary.

Ruos Lim, líder Kuy de Chom Penh, percorre a mata com uma equipe de cerca de 10 voluntários para monitorar sinais de desmatamento e ocupação ilegal. Eles defendem que a proteção de seus espaços sagrados é essencial para manter a identidade indígena.

A atuação das comunidades ganhou notoriedade após protestos de janeiro de 2025, quando cerca de 200 Kuy bloquearam tratores usados pela Santana para limpar áreas no land disputed. A empresa nega as acusações de invasão de terras.

Situação e histórico

Em 2010, o Ministério do Meio Ambiente declarou a área de Chom Penh como uma zona de proteção comunitária, sem confere propriedade formal, mas com gestão comunitária permitida. A designação visou ampliar a participação Kuy na administração de terras ancestrais dentro da reserva.

Em 2020, o governo ampliou a área protegida comunitária para aproximadamente 3,5 mil hectares, cerca de 8,6 mil acres. A expansão tornou-se marco para a comunidade, que mantém atividades de manejo sustentável e uso de recursos naturais.

Dados e desdobramentos

Imagens de satélite compiladas pelo Global Forest Watch indicam que a área gerida pelos Kuy perdeu cerca de 7% de seu estágio de floresta primária entre 2002 e 2024. Em contraste, a Beng Per Wildlife Sanctuary sofreu queda de aproximadamente 76% no mesmo período, com amplas áreas já convertidas para plantações de rubber.

A atuação de patrowmento da comunidade começou de forma voluntária, em 2018, com o objetivo de frear desmatamentos externos. Hoje, o grupo soma cerca de 20 integrantes e destaca melhoria na proteção local, além de atividades de cultivo e paraquedas de biodiversidade.

Perspectivas

Os Kuy afirmam manter a vigilância para evitar novas invasões e destacam a necessidade de reconhecimento formal de direitos sobre as terras. A comunidade também tem reiterado que a preservação do bosque é crucial para o sustento, a cultura e a segurança alimentar local.

Santana Agro não comentou detalhes nesta apuração, limitando-se a negar as acusações de invasão. As autoridades ambientais não anunciaram medidas adicionais até o momento.

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