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Sob Bolsonaro, mortes de crianças Yanomami por desnutrição sobem

Desnutrição infantil atinge Yanomami com falha de atendimento público e avanço de garimpo ilegal

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  • Casos de desnutrição grave entre Yanomami ganharam destaque durante o governo de Jair Bolsonaro, com incidentes em maio envolvendo ataques de garimpeiros e crianças internadas sem acompanhamento adequado.
  • Em Palimiu, na Terra Indígena Yanomami, houve violência de garimpeiros e, dias depois, uma criança Yaritha, com apenas 3 kg, morreu por desnutrição; a família pediu remoção aérea para Boa Vista, mas não houve transporte a tempo.
  • Dados preliminares apontam que, entre 2019 e 2020, ao menos 24 crianças Yanomami com menos de cinco anos morreram por desnutrição, conforme SESAI e DataSUS; as estimativas podem ser maiores devido à falta de cobertura de saúde na reserva.
  • A ausência do Estado nas comunidades, unidades de saúde precárias e visitas de profissionais limitadas contribuem para a piora da alimentação e da saúde, especialmente entre crianças na faixa de um a cinco anos.
  • A mineração ilegal e a contaminação por mercúrio ampliam a vulnerabilidade, aumentando casos de malária, diarreia e desnutrição, e comprometendo o acesso a alimentos tradicionais e água potável.

Entre maio de 2021, relatos sobre a situação de saúde entre os Yanomami ganharam destaque no Brasil, com imagens de crianças malnutridas revelando uma crise que já se arrasta há anos. Ao longo do mês, episódios como ataques de garimpeiros em comunidades do território Yanomami acenderam o debate sobre a presença de atividades ilícitas na região e suas consequências para a assistência à saúde.

A mortalidade infantil associada à desnutrição no território chamou atenção de organizações, autoridades e pesquisadores. Dados de 2019 e 2020 indicam que, nesse período, ao menos 24 crianças Yanomami com menos de cinco anos morreram por desnutrição, segundo informações obtidas por meio de pedido de acesso à informação junto à SESAI e ao Ministério da Saúde. A avaliação aponta défices de cobertura sanitária no território, com 37 comunidades sob a jurisdição da DSEI Yanomami.

O território Yanomami, que abrange parte de Amazonas e Roraima e soma cerca de 9,7 milhões de hectares, depende de visitas de equipes de saúde para o atendimento de doenças como malária, diarreia e desnutrição. Em muitos villages, as unidades básicas de saúde são escassas e mal equipadas; em 2019-2020, apenas parte das aldeias recebeu visitas de nutricionistas, e várias unidades com maiores índices de crianças subnutridas não foram visitadas.

Especialistas lembram que a atuação de garimpeiros ilegais intensificou problemas sanitários. Segundo médicos e pesquisadores, a poluição de fontes de água e a disseminação de doenças associadas à mineração agravam quadros de desnutrição infantil, principalmente entre crianças entre um e cinco anos. A presença de mercúrio na água e nos peixes já foi identificada em estudos anteriores, elevando riscos para mães e crianças.

De acordo com relatos de lideranças Yanomami e de autoridades, a ausência do poder público na região, combinada à pressão econômica de garimpos, dificulta o acesso regular a serviços de saúde e à oferta de alimentação indispensável durante tratamentos. Movimentos locais defendem melhoria de políticas públicas, especialmente em educação nutricional, gestão de unidades de saúde e mecanismos de fornecimento de alimentos aos pacientes durante internação.

A cobertura de saúde na terra Yanomami é marcada pela logística difícil: muitas comunidades só podem ser alcançadas por via aérea ou ribeirinha, com deslocamentos que consomem dias e dias. A suspensão de programas de alimentação em postos de atenção levou algumas comunidades a depender de doações de organizações não governamentais e de iniciativas de mobilização da própria sociedade civil.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a situação é histórica. Governos anteriores multaram a presença de garimpo, porém a atividade cresceu nos últimos anos. Estudo internacional associou invasão de garimpeiros à degradação ambiental e ao aumento de doenças, impactando diretamente a nutrição infantil. A prioridade, segundo eles, é restabelecer o fornecimento de alimentos nos postos de saúde e ampliar a presença de equipes médicas nas aldeias.

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