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Médicos propõem abolir a palavra ‘câncer’ para diagnósticos em fase inicial

- O carcinoma ductal in situ (DCIS) desafia a definição tradicional de câncer. - Pesquisadores sugerem renomear DCIS para reduzir a ansiedade dos pacientes. - Estudos indicam que monitoramento ativo pode ser seguro em vez de cirurgia. - A palavra "câncer" carrega estigmas que afetam a percepção e tratamento. - A mudança de nomenclatura pode confundir pesquisas sobre a evolução da doença.

O diagnóstico de câncer é um tema delicado que envolve não apenas a terminologia, mas também a forma como os médicos se comunicam com os pacientes. Laura Scherer, psicóloga social da Universidade do Colorado, destaca que a palavra “câncer” provoca pânico, comparando a experiência a ser atropelado por um caminhão. Kirsten McCaffery, da Universidade de […]

O diagnóstico de câncer é um tema delicado que envolve não apenas a terminologia, mas também a forma como os médicos se comunicam com os pacientes. Laura Scherer, psicóloga social da Universidade do Colorado, destaca que a palavra “câncer” provoca pânico, comparando a experiência a ser atropelado por um caminhão. Kirsten McCaffery, da Universidade de Sydney, complementa que esse rótulo aciona uma “bomba de ansiedade”. O debate se intensifica em relação ao carcinoma ductal in situ (DCIS), um tipo de câncer de mama que, embora classificado como câncer, apresenta características que desafiam essa definição.

O DCIS é caracterizado por células cancerosas que permanecem confinadas aos ductos de leite e, na maioria dos casos, não se espalham. Ronald M. Epstein, professor de medicina, explica que o termo “câncer” pode induzir os pacientes a acreditar que precisam de intervenções imediatas, como cirurgia e radiação, mesmo que esses tratamentos possam ser desnecessários. Laura J. Esserman, oncologista da Universidade da Califórnia, sugere que renomear o DCIS poderia reduzir a ansiedade dos pacientes e mudar a abordagem de tratamento para monitoramento ativo.

A terminologia médica é carregada de estigmas históricos, como observa Howard Markel, historiador médico. O câncer, por muito tempo, foi associado a morte iminente, levando a uma comunicação paternalista entre médicos e pacientes. Apesar dos avanços na medicina, a percepção pública ainda não acompanhou essa evolução. Arif Kamal, oncologista, ressalta que renomear condições pode parecer paternalista, enquanto Shelley Hwang, da Duke University, argumenta que isso pode dificultar a pesquisa sobre a doença.

Embora a mudança de nomenclatura seja debatida, há evidências de que a abordagem de tratamento pode ser alterada sem renomear as condições. Nos Estados Unidos, mais de 60% dos pacientes com câncer de próstata de baixo risco optam por uma vigilância ativa. A questão central é como reformular o entendimento do câncer e suas formas de tratamento, enfatizando a necessidade de uma comunicação cuidadosa e empática entre médicos e pacientes. Kamal conclui que os pacientes buscam apoio e compreensão, não rótulos que possam aumentar sua ansiedade.

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