Em Buenos Aires, o Riachuelo, que por décadas foi sinônimo de poluição, apresenta uma aparência mais limpa, mas a contaminação persiste. Eva Duarte, moradora de Villa Fiorito, destaca o “abandono total” da região, onde a sujeira e a poluição das indústrias ainda afetam a saúde da população. A luta por um saneamento efetivo começou há […]
Em Buenos Aires, o Riachuelo, que por décadas foi sinônimo de poluição, apresenta uma aparência mais limpa, mas a contaminação persiste. Eva Duarte, moradora de Villa Fiorito, destaca o “abandono total” da região, onde a sujeira e a poluição das indústrias ainda afetam a saúde da população. A luta por um saneamento efetivo começou há mais de 25 anos, quando moradores de Villa Inflamable processaram o Estado e empresas poluidoras, resultando em uma ordem da Corte Suprema para a limpeza da bacia em 2008.
Apesar das obras realizadas pela Autoridade de Cuenca Matanza-Riachuelo (Acumar), muitos ativistas consideram que as melhorias são insuficientes e que a situação ambiental não mudou significativamente. Em outubro de 2024, a Corte encerrou seu controle sobre as obras, o que gerou preocupação entre os moradores sobre a continuidade dos esforços de saneamento, especialmente após cortes orçamentários sob o governo de Javier Milei. Os níveis de poluição continuam acima dos limites legais, com altos índices de metais pesados como chumbo e mercúrio.
Andrés Nápoli, da Fundação Ambiente e Recursos Naturais, observa que, embora a qualidade da água tenha melhorado um pouco, as principais substâncias contaminantes permanecem. As obras essenciais, como uma planta de tratamento de esgoto e a relocação das indústrias poluidoras, estão atrasadas. Os moradores, cansados de promessas não cumpridas, continuam a exigir ações efetivas, mas sentem que a atenção política ao problema diminuiu.
Os ativistas, desiludidos com a Justiça argentina, planejam levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Eva Duarte reafirma seu compromisso em continuar a luta, enquanto Alfredo Alberti expressa frustração com a falta de respostas. A mobilização comunitária persiste, mas os desafios são grandes, e a esperança de um futuro mais limpo para o Riachuelo parece distante.
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