Beneficiários de planos de saúde têm mais acesso a cirurgias do que pacientes do SUS. Um estudo recente mostra que quem tem plano faz 34% mais apendicectomias e 58,7% mais colecistectomias. No SUS, a taxa de apendicectomias é de 74 por 100 mil habitantes, enquanto nos planos é de 100 por 100 mil. Para colecistectomias, as taxas são de 197 no SUS e 312 nos planos. A pesquisa, feita pela Faculdade de Medicina da USP, também revela que a oferta de cirurgias de hérnia é maior no setor privado, com 401 procedimentos por 100 mil habitantes, em comparação a 215 no SUS. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de parcerias com o setor privado para melhorar o acesso a cirurgias. O estudo aponta que 20% dos cirurgiões atuam apenas no setor privado, 10% apenas no SUS e 70% nos dois. Muitos cirurgiões já cancelaram procedimentos devido a problemas na estrutura do SUS. A pesquisa também mostra que a maioria das cirurgias no SUS ainda é feita de forma aberta, o que pode causar mais complicações e demoras na recuperação. Apenas 11,3% das apendicectomias no SUS são feitas por videolaparoscopia, enquanto 76% nos planos são realizadas dessa forma. A falta de equipamentos e treinamento no SUS é um dos fatores que contribuem para essa diferença.
Beneficiários de planos de saúde têm 34% mais chances de realizar apendicectomias em comparação aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo recente revela que a taxa de apendicectomia entre usuários de planos é de 100 cirurgias por 100 mil habitantes, enquanto no SUS, esse número é de 74 por 100 mil.
Além disso, a pesquisa indica que os usuários de planos realizam 58,7% mais colecistectomias (retirada de vesícula), com 312 cirurgias por 100 mil em comparação a 197 por 100 mil no SUS. A disparidade é ainda maior nas cirurgias de hérnia, onde a taxa na rede privada é de 401 por 100 mil, 86,6% superior à do SUS, que é de 215 por 100 mil.
Necessidade de Parcerias
Os dados fazem parte da pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Médica Brasileira e o Ministério da Saúde. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os resultados evidenciam a necessidade de ampliar o acesso às cirurgias e sugeriu parcerias com o setor privado para otimizar a capacidade de atendimento.
De acordo com o estudo, 20% dos cirurgiões atuam exclusivamente no setor privado, enquanto 10% trabalham apenas no SUS. A pesquisa também revela que três em cada quatro cirurgiões enfrentaram cancelamentos de procedimentos devido a problemas estruturais ou falta de pessoal.
Desigualdade Regional
O cirurgião Gerson Alves Pereira, participante do estudo, apontou as disparidades regionais na oferta de cirurgias. Em estados como a Bahia, a taxa de apendicectomias é de apenas 45 por 100 mil, enquanto em Rondônia é de 52 por 100 mil. Pereira enfatizou que a falta de diagnósticos e acesso é um problema, e que a melhoria nos sistemas de informação em saúde poderia revelar desigualdades também nas taxas de mortalidade.
O estudo também destaca que, no SUS, a maioria das cirurgias ainda é realizada por via aberta, resultando em maiores complicações e tempos de recuperação mais longos. Apenas 11,3% dos pacientes do SUS realizam apendicectomias por videolaparoscopia, enquanto 76% dos usuários de planos optam por essa técnica minimamente invasiva.
Pereira conclui que, para reduzir as filas no SUS, será necessário deslocar parte da capacidade cirúrgica dos hospitais privados para a rede pública.
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