- O Ministério da Saúde propôs a criação do primeiro centro de referência nacional para a saúde de pessoas trans.
- A votação ocorrerá no Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde nesta sexta-feira.
- As comunidades autônomas devem indicar hospitais para oferecer atendimento especializado.
- O centro atenderá demandas complexas, incluindo cirurgias, e garantirá uma resposta integral e respeitosa.
- A proposta visa evitar a patologização e respeitar a autodeterminação de gênero, com profissionais capacitados.
O Ministério da Saúde propôs a criação do primeiro centro de referência nacional para a saúde de pessoas trans e com diversidade de gênero. A votação ocorrerá nesta sexta-feira no Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (CISNS). As comunidades autônomas deverão indicar os hospitais que desejam ser acreditados para oferecer atendimento especializado.
A proposta visa estabelecer Centros, Serviços e Unidades de Referência (CSUR) que atendam a patologias específicas. O texto enviado pelo ministério destaca a necessidade de uma resposta integral e respeitosa às demandas de um grupo vulnerável. O novo CSUR representará um avanço na saúde das pessoas trans, que já contam com unidades especializadas em algumas regiões, como Madrid, Catalunha e Andaluzia.
Embora não existam dados precisos sobre a demanda, o ministério reconhece um aumento nas necessidades de saúde dessa população. Estudos indicam que pessoas trans têm 16 vezes mais chances de sofrer de depressão e 11 vezes mais de desenvolver ansiedade. Além disso, cerca de 50% dos transexuais evitam consultas médicas por medo de discriminação.
O centro proposto não se destina a atender problemas cotidianos, mas a oferecer cuidados especializados, especialmente em cirurgias complexas. O CSUR também poderá realizar avaliações e acompanhamento de pessoas trans que necessitem de assistência durante o processo de transição.
Diretrizes e Expectativas
Os centros devem seguir diretrizes que garantam não patologização e respeito à autodeterminação de gênero. A proposta inclui a possibilidade de explorar abordagens psicoeducativas e garantir atendimento de qualidade, realizado por profissionais capacitados.
A vocal de feminismo do Coletivo LGTBIQ+ de Madrid, Alesya Beneroso, acredita que a criação desses centros pode ser positiva, desde que complementem os serviços existentes. Ela ressalta que a hormonização, por exemplo, poderia ser realizada por endocrinologistas, evitando atrasos no tratamento.
Além do CSUR para pessoas trans, o ministério também está criando centros especializados para outras patologias complexas, como câncer de tireoide e doenças pulmonares. A reunião do CISNS também abordará a nova lei do medicamento e a inclusão de novas áreas de triagem genética no Sistema Nacional de Saúde.
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