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Medicamento que poderia curar todos continua inacessível para pacientes

Charles Rice critica o alto custo do sofosbuvir, que limita o tratamento da hepatite C na América Latina e nos Estados Unidos.

El virólogo Charles Rice, en un hotel de Valencia, el 3 de junio. (Foto: Mònica Torres)
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  • Charles Rice, virologista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, criticou o alto custo do sofosbuvir, medicamento que cura a hepatite C.
  • Apenas 1% dos quatro milhões de infectados na América Latina recebe tratamento adequado.
  • O preço do sofosbuvir chega a 84 mil dólares por paciente, enquanto o custo de fabricação é de apenas 100 a 200 dólares.
  • Rice destacou que o acesso ao medicamento é desigual, embora alguns países, como o Egito, tenham conseguido acordos para produção a preços acessíveis.
  • Ele também alertou sobre a desvalorização da pesquisa científica e o impacto negativo do movimento antivacinas na saúde pública.

Charles Rice, virologista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, expressou sua preocupação com o alto custo do sofosbuvir, medicamento que cura a hepatite C. Em entrevista, ele destacou que apenas 1% dos 4 milhões de infectados na América Latina recebe tratamento adequado.

Rice, que recebeu o Nobel em 2016 por suas contribuições ao descobrimento do vírus da hepatite C, criticou o preço exorbitante do sofosbuvir, que chegou a 84 mil dólares por paciente. Ele ressaltou que o custo de fabricação do medicamento é de apenas 100 a 200 dólares, o que torna o preço final inaceitável. O virologista afirmou que é um “crime” que um tratamento eficaz seja inacessível a muitos.

Acesso e Desigualdade

O acesso ao sofosbuvir tem sido facilitado em alguns países, como o Egito, onde acordos com a farmacêutica Gilead permitiram a produção do medicamento a preços acessíveis. Rice mencionou que esse modelo poderia ser replicado em outras regiões, mas a implementação é lenta e desigual. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais crítica, com um aumento na incidência da hepatite C, impulsionado pela epidemia de opioides.

Rice também abordou a desvalorização da pesquisa científica e o impacto do movimento antivacinas na saúde pública. Ele alertou que a luta contra doenças como a hepatite C está ameaçada pela crescente desconfiança em relação à ciência. O virologista enfatizou que a erradicação da hepatite C é possível, mas depende de investimentos contínuos em pesquisa e acesso a tratamentos.

Desafios Futuros

O virologista destacou que, apesar dos avanços, a luta contra a hepatite C enfrenta desafios significativos. Ele mencionou que, enquanto alguns países estão fazendo progressos, a situação nos Estados Unidos é preocupante. Rice concluiu que a pesquisa médica e a ciência estão em um momento crítico, e que a falta de apoio pode comprometer os avanços já conquistados.

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