- Neste verão, a Espanha registrou um aumento significativo na mortalidade devido ao calor, com mais de 400 mortes em junho.
- Estima-se que mais de 8.300 pessoas possam ter falecido por essa causa em 2023, segundo o Sistema de Monitorização da Mortalidade Diária (MoMo).
- Casos recentes incluem um homem de 75 anos em Córdoba e uma funcionária de limpeza de 51 anos em Barcelona, ambos vítimas de golpes de calor.
- Um estudo aponta que transtornos metabólicos e obesidade são as principais causas de internações hospitalares relacionadas ao calor, afetando especialmente os idosos.
- A falta de acesso a ar condicionado e condições socioeconômicas desfavoráveis aumentam a vulnerabilidade da população às altas temperaturas.
Um aumento alarmante na mortalidade devido ao calor tem sido registrado na Espanha neste verão. Em junho, mais de 400 mortes foram atribuídas a altas temperaturas, com estimativas indicando que 8.300 pessoas podem ter falecido em 2023 por essa causa. Os dados são do Sistema de Monitorização da Mortalidade Diária (MoMo) e refletem um cenário preocupante, especialmente para grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças crônicas.
Entre os casos mais recentes, estão um homem de 75 anos em Córdoba e uma funcionária de limpeza de 51 anos em Barcelona, que faleceram devido a golpes de calor. Embora esses casos sejam noticiados, muitos outros não aparecem nas manchetes, pois as mortes ocorrem em casa ou em hospitais, frequentemente relacionadas a condições de saúde preexistentes. O médico Juan Torres Macho, da Sociedade Espanhola de Medicina Interna, explica que a desidratação é um fator crítico, especialmente em pessoas com problemas de regulação térmica.
Causas e Consequências
Um estudo publicado em *Environmental Health Perspectives* revelou que os transtornos metabólicos e a obesidade são as principais causas de internações hospitalares relacionadas ao calor, seguidos por insuficiência renal e infecções. Embora crianças pequenas também estejam em risco, as mortes por calor são mais frequentes entre os idosos. A combinação de altas temperaturas e doenças subjacentes aumenta a vulnerabilidade.
As altas temperaturas não afetam todos igualmente. A falta de acesso a ar condicionado e as condições socioeconômicas desempenham um papel significativo. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a proporção de lares com ar condicionado aumentou de 5% para 35% nos últimos 40 anos, o que ajudou a reduzir a mortalidade. No entanto, aqueles que não podem arcar com os custos continuam a ser os mais afetados.
A Necessidade de Ação
Os golpes de calor, embora raros, têm uma taxa de mortalidade que varia entre 10% e 50%, dependendo da idade e das comorbidades. Em 2023, foram notificados 24 casos ao Ministério da Saúde. Apesar disso, as estatísticas de mortalidade relacionadas ao calor podem estar subestimadas. Pesquisas anteriores sugerem que a mortalidade real pode ser significativamente maior.
A adaptação da população às altas temperaturas é crucial. Hicham Achebak, pesquisador do ISGlobal, destaca que, apesar do aumento das temperaturas, a vulnerabilidade da população diminuiu devido a melhorias no sistema de saúde e no acesso a ar condicionado. Sem essas adaptações, as mortes por calor poderiam ser muito mais elevadas.
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