- Foi lançada uma investigação nacional sobre serviços de maternidade e neonatal na Inglaterra, comandada pela Lady Amos, solicitada pelo secretário de Saúde, Wes Streeting, para identificar as causas sistêmicas de atendimento inadequado.
- A investigação inclui consulta pública, painéis de especialistas e investigações locais em doze trusts da NHS, com o objetivo de emitir recomendações para melhorar o cuidado e a segurança na maternidade.
- O relatório provisório aponta questões profundas, como descaso da equipe, racismo e discriminação, além de carência de profissionais.
- Existem desigualdades persistentes: mulheres negras têm maior risco de morte materna e mulheres em áreas mais pobres também apresentam maiores índices de mortalidade.
- O relatório provisório também cita tentativas de encobrir informações por parte de alguns trusts e prevê publicação de dois relatórios finais com recomendações, previstos para a primavera.
O governo britânico abriu uma investigação nacional sobre os serviços de obstetrícia e neonatal na Inglaterra. A apuração, anunciada pelo secretário de Saúde, visa identificar causas sistêmicas de atendimento inaceitável a mães e bebês e propor recomendações para melhorar a segurança. O estudo também aborda desigualdades raciais e socioeconômicas.
Conduzida pela ex-ministra Lady Amos, a investigação combina consulta pública, painéis de especialistas e auditorias locais em 12 trusts do NHS. O relatório inicial foi apresentado nesta quinta-feira, com prazo para o envio de impressões até o fim do ano e o relatório final previsto para a primavera.
A motivação vem de falhas conhecidas em maternidade. Relatórios anteriores destacaram ações da doutora Donna Ockenden, que apontou mortes e danos cerebrais por cuidados inadequados em Shrewsbury e Telford. Outros casos levaram Nottingham a pagar multa de 1,6 milhão de libras em 2025.
A situação atual da obstetrícia na Inglaterra mostra severidade dos problemas. A taxa de mortalidade materna é de 12,8 por 100 mil partos, 20% maior do que entre 2009 e 2011. Inspeções apontam que 36% dos serviços precisam de melhorias e 12% são inadequados.
Desigualdades aparecem com força: mulheres negras têm o triplo de risco de morrer durante o parto em comparação com mulheres brancas. moradores de áreas mais pobres apresentam risco dobrado frente às mais abastadas. Dados apontam persistência dessas disparidades.
Alguns familiares velam por avanços mais robustos. A Maternity Safety Alliance, liderada por mães enlutadas, demanda uma investigação judicial com participação de um juiz. O grupo critica o tom das primeiras avaliações e pede ações mais decisivas.
Entre os desdobramentos previstos, o interim report confirma problemas como falta de pessoal e relatos de tentativas de ocultar informações. A comissão planeja dois relatórios finais com um conjunto completo de recomendações para melhorar a segurança.
Situação atual e próximos passos
O relatório final deve ser divulgado na primavera, com recomendações amplas para reformar a atenção obstétrica em todo o NHS. A apuração também prevê investigações locais adicionais em 12 trusts para detalhar falhas específicas.
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