- Estudo da PUCPR com 18 entrevistas indica que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, com média de idade de 48 anos, principalmente filhas, cônjuges e netas.
- Mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais que homens em tarefas domésticas e cuidado, totalizando mais de mil horas por ano não remuneradas.
- O trabalho de cuidado é visto como invisível socialmente; a pesquisa aponta carga maior para a chamada “Geração Sanduíche” e defende educação igualitária para meninos e meninas.
- Países da Europa já adotam políticas de apoio aos cuidadores; no Brasil, a Política Nacional do Cuidado foi criada no fim de 2024 e ainda está em implementação.
- Perfil das cuidadoras: maioria é filha (68%), solte e 41 a 60 anos (43%), com ensino fundamental predominante; 61% pararam de trabalhar para cuidar integralmente.
As pesquisadoras da PUCPR revelam que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, em média de 48 anos. O estudo, com base em entrevistas e dados de campo, aponta que filhas, cônjuges e netas concentram esse trabalho não remunerado, que soma mais de mil horas anuais por pessoa.
A pesquisa analisou 18 entrevistas realizadas em Paraná e Santa Catarina, com mulheres que cuidam de familiares idosos, doentes ou com deficiência. O resultado evidencia impacto na educação e na carreira, além de uma carga emocional e física alta, repetidamente internalizada pelas próprias cuidadoras.
O que envolve o trabalho do cuidado
As responsáveis pelo cuidado costumam dedicar tempo integral à família, muitas vezes abrindo mão de estudos e empregos formais. Segundo as pesquisadoras, esse padrão pode comprometer a trajetória profissional e o planejamento previdenciário dessas mulheres.
A autora Valquiria Elita Renk aponta que o cuidado tem forte cunho cultural no Brasil. Ela destaca a necessidade de reconhecimento social e de uma compensação financeira que alivie a sobrecarga.
Comparação internacional e políticas públicas
Países como Finlândia, Dinamarca, França e Espanha já contam com políticas de apoio ou compensação para cuidadores. No Brasil, a Política Nacional do Cuidado foi instituída no final de 2024, mas ainda está em implementação, segundo as pesquisadoras.
A pesquisadora afirma que a simples remuneração não basta; é essencial reconhecer socialmente o papel das cuidadoras e ampliar redes de apoio, para que o cuidado também seja uma base de proteção social, como a aposentadoria.
Educação e mudanças culturais
O estudo recomenda que meninos e meninas sejam educados para dividir responsabilidades domésticas desde a infância. A ideia é reduzir a sobrecarga da chamada Geração Sanduíche, formada por mulheres que conciliam trabalho, casa e cuidado.
Segundo as autoras, o reconhecimento econômico e social do cuidado pode reduzir impactos em saúde mental e bem-estar dessas mulheres, que atuam muitas vezes sem apoio da família. O conjunto de dados reforça a necessidade de políticas públicas mais consistentes, voltadas ao cuidado familiar.
Perfil das cuidadoras estudadas
Entre as participantes, 68% são filhas, 21% esposas e 5% netas ou irmãs. A faixa etária predominante fica entre 41 e 60 anos (43%), com 37% acima de 60. A maioria tem ensino fundamental (58%), e 30% têm curso superior.
Em termos de ocupação, 32% são agricultoras, 26% trabalham formalmente, 26% são aposentadas, 11% são donas de casa e 5% estudam. Três quintos interromperam a atividade remunerada para cuidar do familiar.
Não há dados de conclusão
O levantamento indica que há cansaço extremo entre as cuidadoras, incluindo sensação de solidão e pouca proteção social. Muitas relatam que o cuidado consome o tempo dedicado a si mesmas, sem bonificações ou previdência.
As autoras ressaltam que o cuidado é essencial para o funcionamento da sociedade, mas precisa deixar de ser invisível e ser devidamente reconhecido e compensado. O estudo é assinado também por Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia.
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