- O divórcio entre pessoas com mais de cinquenta anos, conhecido como “divórcio cinza”, vem crescendo no Brasil.
- Entre 2011 e 2022, esse tipo de separação mais que triplicou, segundo dados do IBGE.
- Em 2022, 31% das mulheres divorciadas tinham mais de 50 anos e 23,3% dos homens estavam na mesma faixa.
- Aposentadoria e o ninho vazio são citados como fatores que ajudam a expor fragilidades da relação após longos períodos.
- Especialistas defendem acompanhamento pastoral contínuo e investimento em comunicação, intimidade e planejamento para manter vínculos ao longo de toda a vida conjugal.
O divórcio entre pessoas com mais de 50 anos, conhecido como divórcio cinza, aumenta no Brasil. Dados do IBGE indicam crescimento recente das separações nessa faixa etária, que antes era menos comum. A mudança é observada por líderes religiosos e especialistas em família.
Segundo registros civis analisados pelo instituto, os divórcios envolvendo pessoas acima dos 50 anos triplicaram em pouco mais de uma década. Em 2022, 31% das mulheres divorciadas tinham mais de 50 anos, e 23,3% dos homens estavam nesse grupo. Os números mostram contraste com décadas anteriores.
Mudanças na vida conjugal
O pastor e terapeuta familiar Gilson Bifano associa o aumento à evolução natural dos relacionamentos ao longo do tempo. Ele cita os chamados ciclos da vida conjugal, entre eles o fenômeno do ninho vazio, quando os filhos saem de casa.
Bifano aponta que muitos casais dedicaram grande parte da vida aos filhos. Com a saída deles, o casal passa a conviver com maiores chances de não se reconhecer e de fragilidades acumuladas terem impacto no relacionamento.
Aposentadoria e convivência
Outro fator destacado é a aposentadoria, que altera a rotina diária. Anos de vida profissional afastaram os cônjuges por motivos de trabalho; ao se aposentarem, o convívio diário aumenta, tornando diferenças mais perceptíveis.
Nessa fase, casais podem perceber incompatibilidades que não eram evidentes antes e terem dificuldade para gerenciar as mudanças.
Impactos e perspectivas
O divórcio tardio pode afetar gerações mais jovens, segundo o terapeuta. O exemplo de pais que se separaram na terceira idade pode gerar ceticismo sobre a estabilidade de relacionamentos duradouros.
Para enfrentar o cenário, Bifano recomenda investir em comunicação, intimidade, planejamento familiar e espiritualidade, mantendo o relacionamento ativo em todas as fases da vida.
Papel das instituições
Bifano destaca a importância do acompanhamento pastoral e do apoio de igrejas ao longo de todas as fases do casamento. Ele critica iniciativas voltadas apenas aos primeiros anos e defende orientação constante para casais.
Segundo o pastor, a atuação pastoral pode orientar sobre fidelidade, resolução de conflitos e fortalecimento da relação, ajudando casais a manter a indissolubilidade do casamento.
Entre na conversa da comunidade