- A MHRA abriu investigação para verificar se clínicas no Reino Unido estão infringindo a lei ao fazer alegações medicinais sobre terapias com peptídeos não regulamentados.
- Uma investigação do Guardian aponta várias clínicas oferecendo peptídeos experimentais com promessas de benefícios como recuperação de lesões e melhoria cognitiva, sem evidência sólida em humanos.
- A MHRA afirma que fazer alegações medicinais sobre esses tratamentos transforma os produtos em medicamentos sujeitos à regulamentação; agirão contra clínicas que violem os requisitos legais.
- Em uma consulta gratuita, uma clínica afirmou que a maior parte da pesquisa é pré-clínica, que não há estudos randomizados amplos, e recomendou dois peptídeos — BPC-157 e MOTS-C — com possíveis efeitos na recuperação, energia e resistência ao estresse; risco de aumento de circulação sanguínea em tecidos com potencial relação ao câncer foi citado para BPC-157.
- A clínica disse ter explicado que os peptídeos não são medicamentos licenciados e que as informações disponíveis são limitadas, enquanto a MHRA continua avaliando se as alegações do profissional configuram uso medicinal.
O regulador de medicamentos do Reino Unido abriu uma investigação sobre clínicas que oferecem terapias com peptídeos não regulamentadas, avaliando se há violação de leis ao fazer alegações sobre benefícios de tratamentos experimentais. A apuração envolve clínicas que promovem injeções de peptídeos como soluções para saúde, reabilitação e bem-estar.
A Guardian apurou que diversas clínicas divulgam na web benefícios como neuroproteção, melhoria cognitiva, reparo de tecidos e aumento da função imune, sem evidência clínica robusta em humanos. O regulador MHRA já informou que esse tipo de alegação transforma o produto em medicamento sujeito à regulamentação.
Segundo o MHRA, oferecer injeções de peptídeos com alegações terapêuticas configura uso medicinal e aciona regras específicas. Em caso de identificação de irregularidades, o órgão pode tomar medidas contra as clínicas. O jornal verificou sites com declarações de benefício médico para peptídeos.
Mudança de tema: exemplos e situação prática
Entre as clínicas analisadas, uma aparece como divulgação de que determinados peptídeos atuam na neuroproteção e na recuperação de danos, outra aponta eficácia de um composto para reparo tecidual, e uma terceira afirma melhoria da função imune. Em todos os casos, as informações eram apresentadas como comprovadas.
Ao visitar uma clínica, a repórter participou de uma consulta gratuita em que se afirmou que a maior parte da pesquisa é pré-clínica e que há carência de ensaios randomizados multicêntricos. O corpo clínico também sugeriu períodos de pausa entre ciclos de uso para reduzir riscos.
O consultor reiterou que apenas alguns peptídeos costumam ser usados, destacando que, entre eles, o BPC-157 aparece com frequência para recuperação de lesões. A clínica afirmou que não há evidência suficiente e que as informações disponíveis são limitadas e contrárias a uma aprovação regulatória.
Ações regulatórias e contexto
O MHRA confirmou a investigação para verificar se as alegações dos profissionais são de natureza medicinal. Em resposta, a clínica informou ter deixado claro que os peptídeos não são medicamentos licenciados e destacou a ausência de grandes ensaios clínicos, além de defender a tomada compartilhada de decisões com pacientes.
A agência ressalta que muitos pacientes recorrem a peptídeos por canais não regulamentados, sem vigilância clínica, controle de qualidade ou filtragem de segurança. Peptídeos são cadeias de aminoácidos com usos variados, ainda que muitos itens no mercado permaneçam experimentais.
O MHRA estabelece que um produto medicinal pode ser regulado conforme a finalidade apresentada, e que a avaliação é individual, considerando efeitos, uso e evidências disponíveis. Casos em que promoções indicam uso humano sem aprovação podem levar a ações regulatórias.
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