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Ivermectina para pacientes com câncer: prescrições sobem após fala de Mel Gibson

Prescrições de ivermectina e benzimidazol sobem nos EUA após fala de Mel Gibson no Joe Rogan; estudo aponta aumento de até 2,5x entre pacientes com câncer, sem comprovação

Mel Gibson, homem branco de cabelos grisalhos e barba, sorrindo levemente, vestindo blazer xadrez azul e camisa branca, em frente a um fundo escuro com logotipos
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  • Fala de Mel Gibson no Joe Rogan Experience levou ao aumento de prescrições de ivermectina e benzimidazol nos EUA, com maior impacto entre pacientes com câncer.
  • O relato dizia que amigos com câncer em estágio avançado teriam se curado usando ivermectina com fenbendazol, sem comprovação científica.
  • Estudo da JAMA Network Open com dados de 68 milhões de pacientes mostrou aumento de 2,5 vezes nas prescrições para câncer entre janeiro e julho de 2025; média de 6 em cada 100 mil pacientes.
  • A pesquisa ressalta que o estudo é observacional e não estabelece causalidade; demografia do público do podcast pode indicar amplificação da desinformação.
  • O uso de fenbendazol em humanos é proibido nos Estados Unidos; pacientes devem seguir tratamentos comprovados e orientações médicas.

O uso de ivermectina para pacientes com câncer ganhou atenção em meio a uma fala de Mel Gibson no podcast Joe Rogan Experience, lançada em janeiro de 2025. O relato atribuiu a três amigos dele o benefício de cura com ivermectina associada a fenbendazol, um vermífugo de uso animal. A fala circulou amplamente nas redes.

Especialistas ressaltam que não há comprovação científica de eficácia deste protocolo no tratamento do câncer. Não existem estudos de alta qualidade que sustentem benefício clínico e o fenbendazol para humanos é proibido nos EUA e no Brasil, com potenciais efeitos adversos.

Entre janeiro e julho de 2025, as prescrições desses medicamentos aumentaram significativamente nos Estados Unidos. Um estudo recente, com dados de 68 milhões de pacientes, mostrou que a combinação foi prescrita para 6 de cada 100 mil pessoas no primeiro semestre, com câncer entre os mais impactados.

A pesquisa aponta que o aumento é observado em regiões e faixas etárias associadas ao público do podcast, o que gera apreensão entre especialistas. A possibilidade de pacientes adiarem tratamentos comprovados é motivo de preocupação para a saúde pública.

Impacto e delimitações do estudo

Os autores esclarecem que o estudo é observacional e não demonstra relação causal. Não é possível afirmar que a fala de Gibson foi a única causa do acréscimo. A variação regional indica amplificação de desinformação associada aos canais de divulgação.

A demografia mais afetada inclui homens, pessoas brancas e moradores do sul do país. A região sul registrou aumento expressivo das prescrições para pacientes com câncer, chegando a níveis próximos de quatro vezes o observado em 2024.

Contexto científico e histórico

O protocolo citado existe há anos como boato, apesar de estudos preliminares mostrarem efeito apenas em células ou modelos animais. A extrapolação para uso humano ainda não foi comprovada e não há validação para indicação oncológica.

A discussão envolve também o papel de figuras públicas e da mídia na disseminação de informações de saúde. Pesquisadores defendem que é essencial fornecer dados confiáveis de forma rápida para evitar que pacientes aceitem tratamentos não comprovados.

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