- Especialistas alertam que desinformação sobre a perimenopausa nas redes sociais pode levar a gravidez não planejada, uso desnecessário de medicamentos e diagnóstico incorreto.
- A conscientização sobre menopausa e tratamentos como terapia de reposição hormonal tem aumentado, impulsionada por documentário com Davina McCall.
- Médicas dizem que mulheres na casa dos 30 anos podem buscar HRT, quando na verdade precisam de contracepção hormonal, pois ainda são férteis.
- A perimenopausa é uma transição gradual, com oscilações hormonais que podem provocar mudança no padrão menstrual, ondas de calor e insônia, segundo a British Menopause Society.
- Especialistas ressaltam a importância de informações baseadas em evidências e de não rotular erradamente sintomas como perimenopausa, mantendo contracepção até a confirmação de menopausa.
Diante da disseminação de informações incorretas sobre a perimenopausa nas redes sociais, especialistas alertam para riscos à saúde das mulheres. Dizem que equívocos podem levar a gravidez não planejada, uso inadequado de medicações e diagnóstico equivocado de condições médicas. O debate ganhou atenção após campanhas públicas sobre menopausa e opções de tratamento, como a terapia de reposição hormonal (HRT).
Entre as informações incorretas, há usuários que afirmam que qualquer sintoma pode significar perimenopausa, levando algumas mulheres a exigir HRT prematuramente. Profissionais de saúde destacam que, em muitos casos, o que se busca é contracepção hormonal, pois a fertilidade ainda existe durante a transição, que pode durar meses ou anos.
Segundo a British Menopause Society, mais de 80% das mulheres entram na menopausa por volta dos 54 anos, quando já passaram 12 meses sem menstruação. Cerca de 5% vivenciam menopausa antes dos 45. O período de transição costuma apresentar alterações hormonais e sintomas como sangramento irregular, ondas de calor e insônia.
Especialistas ressaltam que a perimenopausa não é um marco único: a condição envolve flutuações hormonais. Descrever tudo como menopausa pode mascarar outros problemas de saúde. Em alguns casos, há risco de rotular erradamente sintomas de outras doenças como pertencentes à perimenopausa.
Para a prática clínica, é crucial distinguir entre necessidade de contracepção, manejo de sintomas e uso de hormônios. Em cenários adequados, há opções de contraceptivos que podem acompanhar o tratamento hormonal para proteger contra gravidez durante a abordagem de perimenopausa.
Há também alerta sobre resistência ao uso de métodos contracetivos entre mulheres mais jovens, associada a mensagens sobre a declinação da fertilidade com a idade. Médicos lembram que a gravidez continua possível mesmo com a percepção de diminuição da fertilidade, e que decisões sobre fertilidade devem ser baseadas em avaliação médica.
Profissionais destacam ainda que a comunicação pública contribuiu para tornar a menopausa tema de interesse geral, o que é positivo. O desafio é assegurar que as informações disponíveis sejam baseadas em evidências para orientar decisões sobre saúde hormonal, fertilidade e tratamento de sintomas.
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