- A mãe de Holly Bramley lança a campanha Holly’s Law, no Reino Unido, para criar um registro de abuso animal e impedir que perpetradores obtenham animais de estimação.
- A iniciativa também visa aumentar a conscientização sobre a ligação entre abuso animal e abuso doméstico, após Holly ter sido vítima de um relacionamento controlador.
- Estudos citados mostram relação entre crueldade com animais e violência doméstica, e autoridades indicam que 27% dos casos de crime contra a vida selvagem têm relação com violência doméstica.
- O governo informou que encomendou pesquisa para compreender melhor a conexão e trabalhará com a profissão veterinária para identificar sinais de abuso doméstico por meio de lesões não acidentais em animais.
- A campanha também defende treinamento de veterinários para reconhecer sinais de abuso e apoiar pessoas em situação de risco, com o objetivo de evitar que abusadores adquiram novos animais.
O caso de Holly, uma jovem de 26 anos, levou Annette Bramley a mover uma campanha no Reino Unido. Bramley pretende lançar Holly’s Law para impedir que abusadores de animais consigam novos animais de estimação e para ampliar a conscientização sobre a ligação entre violência contra mulheres e maus-tratos a animais. A iniciativa surge após os acontecimentos em Lincoln.
Em março de 2023, Holly foi assassinada pelo marido, Nicholas Metson, em um ataque descrito pela acusação como cruel e desumano. O corpo de Holly foi fragmentado em mais de 200 pedaços, encontrados por um membro da comunidade posteriormente. Metson já apresentava histórico de maus-tratos a animais, com registros desde a infância, e tinha tido contato com a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) sem ter sido processado.
Bramley relata que o marido usou a paixão de Holly por animais como instrumento de controle. Após o episódio, ela passou a defender a criação de um registro de maus-tratos a animais e de um sistema que permita à polícia compartilhar informações sobre abuso animal para evitar que o agressor adquira novos pets. A medida busca interromper ciclos de abuso que envolvem animais como ferramenta de coerção.
Dados científicos citados no movimento apontam uma forte ligação entre maus-tratos a animais e violência doméstica. Estudos indicam que coercão envolvendo animais aparece em diversos casos de abuso contra mulheres, com impactos significativos na segurança das vítimas. Autoridades britânicas informaram que há pesquisas em andamento para aprofundar essa conexão e orientar políticas públicas.
A campanha também envolve a comunidade veterinária, com a expectativa de que profissionais de saúde animal reconheçam sinais de violência doméstica. Profissionais de defesa animal defendem que veterinários estejam atentos a casos recorrentes de lesões incompatíveis com a explicação apresentada pelo tutor. O objetivo é permitir intervenções preventivas mais eficazes.
Mark Randell, ex-detective e representante da Naturewatch Foundation, apoia a proposta. Segundo ele, o registro de maus-tratos ajudaria organizações de proteção a identificar casos envolvendo violência doméstica. A entidade ressalta que boa parte dos domicílios no país tem animais, o que amplia o alcance potencial da medida para proteger mulheres e crianças.
Metson já constava como alvo de investigações por maus-tratos a animais, com denúncias relacionadas a assassinar e ferir animais, antes do caso contra Holly. A família de Holly diz ter sentido falhas no sistema que permitiria a continuidade desses abusos com animais. Bramley afirma que políticas públicas podem reduzir novos incidentes.
Annnette Bramley afirma que a mudança desejada não é apenas sobre punição, mas sobre prevenção e proteção às vítimas. O alvo é evitar que o agressor volte a ter animais e ampliar a compreensão pública sobre o vínculo entre abuso animal e violência de gênero. O governo informou que está avaliando pesquisas e parcerias com a área veterinária para aprimorar reconhecimento de sinais de abuso.
Entre na conversa da comunidade