- Médicos de família na Inglaterra estão sobrecarregados e não conseguem ajudar idosos em risco de queda, considerado pelos comitês como falha inaceitável no cuidado.
- Durante 2024/25 apenas 17% dos pacientes com mais de 65 anos com frailidade foram avaliados; apenas 18% dos 226.000 com frailidade grave tiveram avaliação de risco de queda e 16% tiveram revisão de medicação.
- O comitê de Contas Públicas aponta que o NHS England sobrecarregou os GPs com novas prioridades, priorizando o acesso e o uso de serviços digitais, o que prejudica o cuidado de pessoas frágeis.
- Quase um terço das áreas locais examinam menos de 10% dos cidadãos com mais de 65 anos para frailidade e risco de queda; outras 9 áreas conseguiram avaliar pelo menos 90%.
- O NHS deve explorar que outros profissionais, como farmacêuticos, façam parte das revisões de medicação de idosos frágeis; defensores destacam que melhorar apenas o acesso online não pode prejudicar o cuidado contínuo.
Os GP em Inglaterra estão tão sobrecarregados que não conseguem ajudar pessoas idosas em risco de queda, aponta o Comitê de Contas Públicas da Câmara dos Comuns. A falha é entendida como inaceitável pelos chefes do NHS, segundo o comitê. A pressão aumenta com a ampliação do acesso online aos serviços médicos.
O comitê quase não vê avanços no enfrentamento de quedas, a principal causa de morte por lesão entre maiores de 65 anos. Quase 4,4 bilhões de libras por ano é o custo estimado para o NHS relacionado a quedas, além de sobrecarregar hospitais. O grupo cita dados de 2024/25.
Em 2024/25, apenas 17% dos pacientes com fragilidade moderada ou severa foram avaliados pelos médicos de família. Somente 18% dos 226 mil idosos com fragilidade severa tiveram avaliação de risco de queda, e 16% passaram por revisão de medicação.
Segundo o comitê, o NHS England sobrecarregou os GPs com novas prioridades, reduzindo a capacidade de atendimento. A prioridade dada ao acesso dos pacientes e à digitalização de serviços gerou consequências para o cuidado de pessoas frágeis, segundo os deputados.
Chefes do NHS, ouvidos pelo comitê, reconheceram que a situação é inaceitável. Quase um terço das áreas locais avalia menos de 10% dos idosos para risco de fraqueza e queda, enquanto nove áreas alcançam 90% ou mais, o que mostra que boa performance é possível com recursos existentes.
Olhar para talentos e novos modelos de atendimento
A presidente da Royal College of GPs afirmou que o relatório valida alertas sobre prioridades digitais em detrimento do cuidado contínuo e preventivo. O NHS England avalia se outros profissionais, como farmacêuticos, podem realizar parte das revisões de medicação de idosos frágeis.
A busca por reduzir a polyfarmacia e riscos de queda é citada como estratégia para evitar problemas adicionais. Idosos com equilíbrio ruim, fraqueza muscular, visão fraca e condições médicas estão entre os mais vulneráveis a quedas graves.
Caroline Abrahams, diretora da Age UK, destacou que o tema da fragilidade já era prioridade há quase uma década, mas as melhorias ainda não se traduziram para os idosos. O relatório ressalta necessidade de ações rápidas e equilibradas para não sobrecarregar o NHS.
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