Na semana passada, mais de 3.200 ativistas de direitos digitais, formuladores de políticas de tecnologia e pesquisadores se reuniram em Taipei para a RightsCon, a maior conferência mundial sobre direitos digitais. Este ano, o evento, que ocorre desde 2011, foi marcado pela urgência devido aos cortes drásticos no orçamento da USAID, que enfrenta uma redução […]
Na semana passada, mais de 3.200 ativistas de direitos digitais, formuladores de políticas de tecnologia e pesquisadores se reuniram em Taipei para a RightsCon, a maior conferência mundial sobre direitos digitais. Este ano, o evento, que ocorre desde 2011, foi marcado pela urgência devido aos cortes drásticos no orçamento da USAID, que enfrenta uma redução superior a 90% sob a administração de Donald Trump. A USAID tem sido um dos principais financiadores de iniciativas de direitos digitais, essenciais para a proteção de jornalistas e defensores dos direitos humanos em situações de crise.
Durante a conferência, Nikki Gladstone, diretora da RightsCon, destacou a erosão do multistakeholderismo e o retrocesso democrático global. Cindy Cohn, da Electronic Frontier Foundation, alertou sobre a velocidade sem precedentes dos ataques aos direitos humanos, enfatizando que as políticas do governo dos EUA estão sendo usadas como justificativa por regimes opressivos em outros países. Um exemplo disso foi a recente operação policial na Sérvia, que visou organizações da sociedade civil sob alegações infundadas de fraude relacionadas à USAID.
Os participantes também expressaram preocupação com a disposição das plataformas digitais em se envolver com comunidades locais. A falta de moderação de conteúdo, especialmente em idiomas locais, tem contribuído para um aumento da discriminação online. Especialistas afirmaram que sistemas automatizados de moderação, muitas vezes treinados em dados em inglês, falham em identificar discursos de ódio em outros idiomas, exacerbando a situação. A demissão de equipes de moderação em várias plataformas, como o Twitter, após a aquisição por Elon Musk, foi citada como um fator que piorou a moderação de conteúdo.
Por fim, a retirada dos EUA do apoio a defensores dos direitos digitais cria um vácuo moral. A falta de suporte financeiro e moral para jornalistas em regimes repressivos foi um tema recorrente entre os participantes. Apesar do cenário desolador, a conferência também destacou a solidariedade entre os participantes e a necessidade de repensar o poder nas plataformas digitais, com sugestões para o desenvolvimento de modelos de linguagem localizados que atendam às necessidades específicas de cada comunidade.
Entre na conversa da comunidade