Nos próximos meses, o Observatório Vera C. Rubin, localizado no Chile, iniciará um mapeamento do cosmos utilizando a maior câmera já construída. A cada três noites, o observatório produzirá um mapa do céu do hemisfério sul, revelando estrelas, galáxias, asteroides e supernovas, mas também enfrentará a interferência de satélites. O número de satélites em operação […]
Nos próximos meses, o Observatório Vera C. Rubin, localizado no Chile, iniciará um mapeamento do cosmos utilizando a maior câmera já construída. A cada três noites, o observatório produzirá um mapa do céu do hemisfério sul, revelando estrelas, galáxias, asteroides e supernovas, mas também enfrentará a interferência de satélites. O número de satélites em operação aumentou para cerca de 11 mil nos últimos cinco anos, principalmente devido a constelações que oferecem conectividade global, como os 7 mil satélites Starlink da SpaceX.
Os satélites são essenciais para conectar comunidades remotas e apoiar serviços de emergência, mas sua quantidade crescente interfere nas observações astronômicas, criando rastros brilhantes nas imagens e causando interferência eletromagnética em telescópios. Para mitigar esses impactos, pesquisadores estão colaborando com empresas de satélites. Giuliana Rotola, pesquisadora de políticas espaciais, destaca o interesse crescente em encontrar soluções conjuntas. O primeiro passo é prever quando e onde os satélites passarão sobre os observatórios, minimizando surpresas.
A União Astronômica Internacional (IAU) criou um centro virtual para proteger o céu da interferência de satélites, oferecendo ferramentas como o SatChecker, que permite aos astrônomos rastrear satélites durante suas observações. Embora útil, o sistema enfrenta limitações, como a precisão das informações sobre a posição dos satélites. Com o aumento do número de satélites, a perda de tempo de observação se tornará um problema maior, especialmente para o Rubin, que custou US$ 810 milhões e realiza cerca de 1.000 exposições noturnas.
Para lidar com a interferência, os astrônomos do Rubin estão ajustando seus cronogramas de observação e implementando etapas em seus processos de dados para detectar e remover rastros de satélites. Além disso, a IAU está desenvolvendo um banco de dados de observações de brilho de satélites, chamado SCORE, que ajudará os cientistas a identificar e corrigir dados afetados. Astrônomos que trabalham com rádio enfrentam desafios adicionais, pois os sinais dos satélites são constantes e difíceis de evitar, complicando ainda mais as observações astronômicas.
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