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Mais da metade dos profissionais teme que a inteligência artificial substitua seus empregos

Estudo revela que 86% dos brasileiros conhecem inteligência artificial, mas 55% nunca a utilizaram, gerando preocupações sobre o futuro do trabalho.

Garra mecânica saindo de caixa preta (Foto: Carvall/Folhapress)
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  • Uma pesquisa do Datafolha, realizada em junho de 2023, mostra que 86% dos brasileiros conhecem inteligência artificial (IA).
  • Apesar do alto índice de conhecimento, 55% nunca utilizaram ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini.
  • O uso da tecnologia é mais comum entre jovens de 16 a 24 anos, com 64% afirmando já ter utilizado IA.
  • A pesquisa revela que 56% dos entrevistados temem que suas profissões desapareçam devido à automação, especialmente entre pessoas com menor escolaridade.
  • Apenas 36% acreditam que a IA trará mais benefícios do que prejuízos, e a desigualdade no acesso à tecnologia pode aumentar as disparidades sociais.

A pesquisa Datafolha realizada em junho de 2023 revela que 86% dos brasileiros já ouviram falar de inteligência artificial (IA). Apesar desse alto índice de conhecimento, 55% nunca utilizaram ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini. O estudo, que entrevistou 2.004 pessoas em 136 municípios, mostra que o uso da tecnologia é mais comum entre os mais jovens, com 64% dos entrevistados de 16 a 24 anos afirmando ter utilizado IA.

Entre os que conhecem a tecnologia, 56% expressam preocupação com a possibilidade de suas profissões desaparecerem devido à automação. O receio é mais acentuado entre pessoas com menor escolaridade: 61% dos que têm ensino fundamental e 59% dos que completaram o ensino médio compartilham desse temor. Em contraste, apenas 48% dos graduados relatam medo de extinção de suas áreas de atuação.

Impacto da IA no Mercado de Trabalho

Pesquisadores afirmam que a extinção total de profissões é improvável. O professor Rafael Grohmann, da Universidade de Toronto, menciona a tendência de “heteromação”, onde parte do trabalho é automatizada, mas a presença humana permanece. Ele cita exemplos como o uso de drones na logística, onde trabalhadores ainda são necessários para supervisão.

Luís Guedes, da FIA Business School, destaca que a IA deve provocar uma reestruturação do mercado de trabalho, criando novas carreiras em vez de eliminar empregos. Ele observa que as funções que estão em risco são aquelas que exigem menos habilidades intelectuais e físicas. As profissões com maior potencial de crescimento são aquelas que demandam análise de dados, empatia e criatividade.

Desigualdade no Acesso à Tecnologia

A pesquisa também aponta que apenas 36% da população acredita que a IA trará mais benefícios do que prejuízos. 38% temem que os impactos sejam negativos. Grohmann alerta que a desigualdade no acesso à tecnologia pode acentuar as disparidades sociais, com aqueles que dominam a IA obtendo vantagens competitivas.

O estudo evidencia a necessidade urgente de requalificação da força de trabalho, especialmente para aqueles que não possuem diploma universitário. Guedes ressalta que a resistência em adotar a IA pode resultar em dificuldades para se manter competitivo no mercado.

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