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A empresa que vendeu o polêmico app de reconhecimento facial do DHS/ICE

Departamento de Segurança Interna detalha Mobile Fortify, vendida pela NEC; CBP e ICE em implantação, com risco de identificações incorretas e impactos a viajantes e cidadãos

Two ICE agents film the press using smartphones in the hallway outside the immigration court at 26 Federal Plaza in New York City.
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  • O Departamento de Segurança Interna publicou detalhes sobre o Mobile Fortify, aplicativo de reconhecimento facial usado por agentes de imigração para identificar pessoas no campo, incluindo cidadãos dos EUA.
  • O fornecedor identificado é a NEC, com a solução Reveal; contrato de 23,9 milhões de dólares entre NEC e o DHS de 2020 a 2023, citando buscas faciais ilimitadas em plataformas e locais ilimitados.
  • O CBP informou que o aplicativo ficou operacional no início de maio do ano passado; o ICE recebeu acesso em 20 de maio de 2025, ambos em estágio de implantação.
  • O app captura faces, impressões digitais sem contato e fotos de documentos de identidade, enviando dados ao CBP para consulta a sistemas biométricos governamentais; o ICE afirma não possuir nem interagir diretamente com os modelos de IA.
  • Monitoramento e avaliação de impacto estão em andamento, com o uso considerado de alto impacto; há discussão sobre um processo de recursos e consulta pública, sem ainda divulgar todos os detalhes.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA publicou detalhes sobre o Mobile Fortify, aplicativo de reconhecimento facial utilizado por agentes federais de imigração. O lançamento ocorreu no contexto do inventário de Casos de Uso de IA de 2025, com informações sobre a atuação do software na Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e no Immigration and Customs Enforcement (ICE). O objetivo técnico alegado é confirmar identidades no campo, inclusive de cidadãos.

Conforme o relatório, o aplicativo está em estágio de implantação para CBP e ICE. O CBP informou que o Mobile Fortify ficou operacional no início de maio do ano anterior; o ICE passou a ter acesso em 20 de maio de 2025. A divulgação ocorreu após relatos de 404 Media sobre a existência do recurso.

Fornecedor e funcionamento

O inventário aponta NEC como fornecedora do aplicativo; a empresa oferece uma solução de reconhecimento facial chamada Reveal, capaz de buscas one-to-many ou one-to-one em bancos de dados de tamanho variado. O ICE afirma que o desenvolvimento foi parcialmente interno, enquanto o CBP diz que o fornecedor é NEC. Um contrato de 2020-2023 com a DHS cita uso de produtos de correspondência biométrica da NEC em várias plataformas e locais.

Propósito e dados processados

O CBP e o ICE dizem que o app visa confirmar identidades de forma rápida, com o ICE ressaltando uso em campo diante de informações limitadas. O software captura rostos, impressões digitais sem contato e imagens de documentos de identidade, enviando dados ao CBP para consulta em sistemas biométricos governamentais. Esses sistemas utilizam IA para cruzar informações com registros existentes.

Acompanhamento, monitoramento e impactos

O ICE afirma que também extrai texto de documentos para checagens adicionais e que não tem acesso direto aos modelos de IA, que seriam de propriedade do CBP. O CBP afirmou que dados de programas de viajantes confiáveis foram usados para treinar ou avaliar o desempenho do Mobile Fortify, sem detalhar quais ações específicas. A agência não respondeu a um pedido de esclarecimento.

Padrões, acompanhamento e efeitos

Embora o CBP tenha dito haver protocolos de monitoramento, o ICE informou que o desenvolvimento desses protocolos está em andamento e que avaliação de impactos é prevista. Orientação oficial de 2025 sobre IA sugere avaliação de impacto pré-implantação para usos de alto impacto; ambas as agências classificaram o aplicativo como de alto impacto e já implantado.

Observações sobre responsabilidade e limitações

As agências não responderam a pedidos de comentário. O CBP afirmou que irá revisar a solicitação de entrevista, e o ICE detalha planos de desenvolver um processo de recurso para correções de possíveis erros de identificação. Em casos de matching incorreto, relatos anteriores indicam consequências significativas, incluindo detenções indevidas.

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