- EUA correm o risco de ficar para trás na transição de veículos elétricos, com mais de cinquenta bilhões de dólares perdidos em investimentos de Ford, General Motors e Stellantis.
- Ford registrou uma perda de $19,5 bilhões em investimentos em EVs; a marca também anunciou o fim do F-150 Lightning. GM registrou uma carteira de $7,6 bilhões; Stellantis sofreu uma queda de $26,6 bilhões.
- O governo dos EUA eliminou o crédito fiscal de EV de $7,5 mil e recuou regulações de emissões; a EPA também revogou a determinação de que as emissões de gases são perigosas para a saúde humana.
- Globalmente, as vendas de EVs atingiram 20,7 milhões em 2025; na China, por exemplo, EVs representam grande parte das vendas, enquanto nos EUA ficam em torno de 10%.
- A Califórnia pode manter seu regime de emissões, criando um conflito com o governo federal; as montadoras precisarão manter múltiplos powertrains (ICE, híbrido e EV) para competir.
A indústria automotiva dos EUA enfrenta um risco de ficar atrás na transição para veículos elétricos. Ford anunciou uma redução contábil de 19,5 bilhões de dólares em seus investimentos em EVs, incluindo a decisão de descontinuar o F-150 Lightning. A GM reagiu com uma provisão de 7,6 bilhões de dólares, seguida pela Stellantis, que registrou um ajuste de 26,6 bilhões. Ao todo, o grupo soma mais de 50 bilhões em perdas relacionadas a EVs.
A desaceleração ocorre em meio a uma mudança regulatória de grande impacto. A administração Biden manteve o foco em padrões de emissões, mas houve uma aposta de autoridades na flexibilização de regras para EVs, com a redução de incentivos.
Quem está envolvido? As três maiores montadoras norte-americanas — Ford, GM e Stellantis —, além de segmentos de varejo automotivo, que vinham tentando adaptar-se ao mercado de elétricos. Engenheiros, executivos e dealers enfrentam o desafio de manter margens em um cenário de custos elevados e mudanças regulatórias.
Quando isso acontece? As próximas movimentações ocorreram ao longo dos últimos meses, com divulgações públicas sobre as perdas e ajustes anunciadas pelos fabricantes. A reação do mercado refletiu preocupação com o ritmo da transição nos EUA.
Onde ocorre o desajuste? O problema é amplamente observado nos EUA, mas o contexto envolve também políticas federais e disputas entre estados. Enquanto a China avança com investimentos maciços, o ritmo americano tem sido contestado por mudanças em incentivos e regulações.
Por quê: as perdas acumuladas derivam de erros estratégicos na transição para EVs, de uma aposta tardia no setor e de resistência de parte do varejo que temeu prejuízos com serviços de manutenção. As mudanças políticas ampliam a incerteza sobre o caminho tecnológico.
Cenário regulatório e perspectivas
A eliminação do crédito fiscal de 7,5 mil dólares para EVs, por proposta republicana, impactou as vendas da GM em um trimestre imediatamente após o fim do benefício. Em paralelo, o governo reduziu a atuação sobre padrões de emissões e questionou a autoridade da Califórnia para definir seus próprios limites de poluição.
A administração também reverteu a determinação de risco que embasava as normas de emissões veiculares. Sem esse alicerce, as montadoras ficam menos obrigadas a cumprir metas e podem investir menos em tecnologia de baixo carbono. Analistas indicam que o setor tende a manter múltiplas opções de propulsionamento (ICE, híbrido e EV) por mais tempo.
Especialistas ressaltam que a recuperação dependerá de investimento contínuo em baterias, infraestrutura de carregamento e modelos mais acessíveis. Mesmo com queda recente nas ações de EVs, a transição global avança, com países adotando diferentes estratégias para ampliar a participação dos elétricos.
A trajetória futura da indústria nos EUA depende de como se desenhará o equilíbrio entre estímulos, inovação tecnológica e pressão de concorrentes internacionais. Enquanto a transição global avança, o cenário americano permanece sob escrutínio de investidores e reguladores.
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