- Tim Bender diz que a IA sustenta a pesquisa e desenvolvimento da Nvidia e, por consequência, beneficia os jogadores, mesmo com o gaming representando uma fatia menor da receita.
- Na gamescom latam, em São Paulo, ele usa a metáfora da “família” de produtos para explicar o crescimento das outras divisões além do GeForce.
- No segmento de GPUs para desktop, a Nvidia fechou 2025 com 94% de participação de mercado, enquanto a AMD ficou com 5%.
- No mercado de aceleradores de IA, a Nvidia detém cerca de 85% do mercado global e a AMD, 7%.
- O Brasil passa a ter papel mais estratégico: abriu estrutura local e funciona como hub para a América Latina; o GeForce Now aparece como elo entre dispositivos, enquanto o preço da RAM subiu cerca de 41% no fim de 2025.
Tim Bender, vice-presidente de vendas e consumo global da Nvidia, defende que a IA sustenta o que mantém o gaming relevante. Em entrevista À EXAME, ele explica a evolução das estratégias de tecnologia em games e o papel da IA no crescimento da divisão de jogos.
A fala do executivo ocorre durante a gamescom latam, em São Paulo. Bender compara as áreas da empresa a uma família, afirmando que o GeForce, antes protagonista, ganha apoio de novos componentes que se fortalecem e agregam valor ao portfólio.
Segundo ele, a IA permite financiar pesquisas e desenvolver inovações que beneficiam diretamente os gamers. A Nvidia afirma ter atingido números de pesquisa e desenvolvimento superiores aos anteriores, ampliando a capacidade de inovação no setor.
O avanço se reflete nos resultados de mercado. A Nvidia encerrou 2025 com participação de 94% no mercado de GPUs para desktop, segundo a Jon Peddie Research, o maior índice já registrado. A AMD ficou com 5%.
No segmento de aceleradores de IA, a Nvidia detém cerca de 85% do mercado global, enquanto a AMD representa aproximadamente 7%. Mesmo com a liderança, a empresa indica que o gaming não é hoje o foco maior, mas continua impulsionando o ecossistema por meio de IA.
Entre as inovações, o DLSS é apontado como principal produto para ampliar as capacidades dos chips gráficos com IA. A tecnologia permite aumentar quadros e resoluções, com impactos diretos no desempenho dos jogos.
Recentemente, o DLSS 4.5 gerou controvérsia ao afirmar que consegue renderizar até 23 dos 24 pixels na tela, o que levou a discussões sobre a chamada “alucinação de IA” em modelos de processamento de imagens. A adoção, porém, é acompanhada de cautela pela comunidade.
Bender destaca que o objetivo é criar representações mais realistas por meio da física, acelerando o processamento computacional em jogos. Segundo ele, os resultados são verificáveis quadro a quadro, com aprendizado contínuo a partir de dados reais.
O executivo citou a experiência do estúdio brasileiro Mad Mimic, que integrou DLSS em Super Tacky Astro Ranger em apenas 20 minutos. Ele ressalta que Jensen Huang visualizou oportunidades ao detectar limitações de hardware e apoiar IA com ray tracing.
Brasil ganha relevância estratégica para a Nvidia. O país passou a acompanhar lançamentos globais com menos defasagem e a empresa criou estrutura jurídica local, transformando o Brasil em hub para a América Latina. O interesse se mantém, mesmo diante de custos elevados.
O GeForce Now aparece como elo entre dispositivos, conectando PCs, Macs e celulares. A plataforma integra a estratégia de longo prazo, combinando processamento na nuvem com hardware local para jogos via streaming.
No curto prazo, a Nvidia enfrenta pressões de custo. O preço da memória RAM subiu cerca de 41% no fim de 2025, segundo TrendForce, levando a negociações com varejistas para mitigar impactos nas vendas.
O horizonte inclui IA na borda, com GPUs capazes de rodar assistentes locais em computadores. A proposta visa reduzir a dependência da nuvem, aumentar a privacidade e ampliar o uso de IA em devices.
Essa linha de atuação acompanha movimentos de concorrentes como Intel e Qualcomm. Se consolidada, pode redefinir o papel do gaming na Nvidia, de principal fonte de receita a laboratório e interface direta com o usuário final.
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