- Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o cunhado Fabiano Zettel foram presos novamente, em operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro André Mendonça em sua primeira decisão como relator; caso envolve fraude bilionária, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
- Investigação aponta venda de títulos de crédito falsos pelo Master; a PF diz ter bloqueado mais de R$ 2,2 bilhões de uma conta ligada ao pai de Vorcaro, que a defesa afirma não ser dele.
- Ameaças e milícia privada chamada “A Turma” foram identificadas, com ordens de violência contra jornalistas e ex-colaboradores; o líder operacional é Luiz Phillipi Moraes Mourão, e houve tentativa de forjar um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim.
- Grupo usava credenciais de terceiros para acessar sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até do FBI e da Interpol; monitorava alvos e removia conteúdos críticos em plataformas digitais.
- Além de Vorcaro, foram presos outros três investigados, e seguem restrições a dois servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que passam por medidas como uso de tornozeleira, proibição de contato e impedimento de acesso às dependências da instituição.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso novamente pela Polícia Federal em São Paulo, em desdobramento de uma investigação que apura fraudes bilionárias, uso de milícia e lavagem de dinheiro. A decisão de prender ocorreu nesta quarta-feira, sob o rito de prisão preventiva autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, em sua primeira atuação como relator.
Segundo a PF, o esquema envolve venda de títulos de crédito falsos pelo Master, com atuação de uma milícia privada ligada ao banqueiro. A pasta afirma que a organização operava para assediar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes, com o objetivo de neutralizar adversários e manter a audiência pública sob controle.
Daniel Vorcaro havia sido solto no fim de 2025, mas a polícia pediu nova detenção alegando ocultação de patrimônio, risco de fuga e destruição de provas. A PF aponta que mais de 2,2 bilhões de reais teriam sido ocultados em uma conta vinculada ao pai do empresário, Henrique Vorcaro, e que o montante permanece sob bloqueio.
Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso na operação. Ele atuava como operador financeiro, intermediando pagamentos e estruturando contratos simulados para lavar dinheiro e financiar a atividade da milícia investigada. Outros presos incluem Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chefe operacional da milícia, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
Além dos mandados de prisão, a ação envolve medidas cautelares contra outros investigados, com restrições como tornozeleira eletrônica, proibição de contato com testemunhas, e obrigação de não deixar a comarca sem autorização. O Banco Central já havia afastado dois servidores, suspeitos de vantagens indevidas, ligados ao caso.
A operação também envolve denúncias de espionagem e acesso ilegal a dados. A PF afirma que o grupo violava sistemas do FBI, Interpol, PF e MPF para obter informações sigilosas. Dialogos apontam ordens para ações de intimidação contra jornalistas e ex-funcionários.
Em meio às ações, surgem relatos de deslocamentos a trabalho para a Disney e uso de contatos públicos para favorecer os envolvidos. A PF descreve um fluxo de pagamento por meio de empresas de passagem para ocultar as origens do dinheiro e facilitar a lavagem de dinheiro.
O caso ganhou desdobramentos na relação entre a investigação e a atuação da PGR. Em decisão anterior, Mendonça criticou a posição da PGR, ao justificar a necessidade de rapidez no trâmite com base no risco aos bens jurídicos envolvidos. A defesa afirma desconhecer a titularidade da conta citada pela investigação.
A apuração envolve a estrutura chamada de A Turma, descrita como núcleo de intimidação e obstrução de justiça. O grupo era chefiado por Vorcaro, com Mourão responsável pela coordenação e Marilson pela vigilância. A PF aponta que o objetivo era forçar a retirada de conteúdos críticos e monitorar adversários.
A investigação ressalta que parte das atividades ocorreu entre 2025 e 2026, com diligências que aprofundaram a apuração sobre o uso de credenciais de terceiros para acessar bases de dados restritas. A polícia destaca a reiterada tentativa de ocultar ativos e evitar consequências penais.
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