- Bitcoin se aproxima de uma zona de suporte histórica perto de $62 mil, segundo o indicador Binance Reserve Cost, não testado desde a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, em janeiro de 2024.
- O indicador subiu por causa da participação institucional após os ETFs, elevando o piso de suporte anterior, de cerca de $42 mil, e alimentando dúvidas se a queda atual é bear market ou correção.
- Métricas on‑chain apontam cautela: a participação de bitcoin em perda voltou a subir, sinal típico de estágios iniciais de mercados em baixa, ainda que o indicador não tenha atingido patamares de capitulação.
- Economistas estimam um possível piso do bear market entre $56 mil e $60 mil nos próximos doze meses, sugerindo queda em torno de cinquenta e cinco por cento em relação ao pico histórico.
- Técnicas apontam cruzamento entre as médias móveis de 21 e 50 semanas, evento geralmente associado a movimentos baixos mais prolongados; a recuperação dependeria da recuperação da média de referência de aproximadamente $101 mil.
Bitcoin pode testar novamente o suporte de aproximadamente US$ 62 mil, em um momento em que sinais de alerta cruzam indicadores técnicos e dados on-chain, sugerindo pressão de baixa mesmo com expectativas de recuperação em 2026.
O indicador de custo de reserva da Binance, que mede o custo médio de aquisição de reservas de Bitcoin na exchange, aponta para US$ 62 mil. Esse nível não era testado desde a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, em janeiro de 2024, elevando a discussão sobre se a queda atual é uma correção ou o início de um novo ciclo de baixa.
Especialistas ressaltam que a participação institucional desde o início de 2024 tem alterado o comportamento dos preços, elevando o custo de reserva e redefinindo o que funciona como suporte de baixa. Segundo Burak Kesmeci, esses níveis passaram a ser determinantes para diferenciar mercados em alta e baixa.
O que muda com os sinais on-chain
Dados on-chain apontam cautela adicional. A métrica de “Supply in Loss” voltou a subir, o que historicamente antecedeu fases iniciais de mercados bear, como ocorreu em ciclos de 2014, 2018 e 2022. Atualmente, o indicador ainda não alcançou os patamares de capitulação observados nesses momentos.
Julio Moreno, pesquisador-chefe da CryptoQuant, aponta uma clusterização de sinais baixistas que emergiram no início de novembro e ainda não reverteram. A leitura é que o mercado pode estar buscando um fundo duradouro, mas sem confirmar ainda a consolidação.
O piso possível para o preço
Com base no preço realizado — que reflete o custo médio dos atuais detentores — Moreno estima um piso em modo bear entre US$ 56 mil e US$ 60 mil nos próximos 12 meses. Historicamente, quedas prolongadas recuam para próximos desses níveis após patamares acima do último pico, sugerindo queda próxima de 55% frente à máxima histórica.
Mesmo com essa perspectiva, Moreno destaca que movimentos desse porte são mais modestos quando comparados a bear markets anteriores, que viram perdas de 70% a 80% e falhas em cascata no ecossistema.
Perspectivas técnicas e cenários
Indicadores técnicos também pressionam o lado bearish. O cruzamento entre as médias móveis exponenciais de 21 semanas e 50 semanas, conhecido como Bull Market EMA crossover, apareceu recentemente. Históricamente, esse tipo de evento antecedeu fases de baixa acentuada em momentos anteriores do mercado.
Caso a fase atual se confirme como bear market, poderá desafiar a expectativa de ciclos de alta para 2026. Diversos cenários sobre o desempenho futuro incluem visões de superciclo para o Bitcoin, discutidas por figuras do ecossistema, com algumas firmas projetando aumentos para além de US$ 100 mil na próxima janela, enquanto outras mantêm hipóteses de alongamento do ciclo de alta.
Até o momento, o preço precisa reconquistar a média móvel de 50 semanas, que fica próxima de US$ 100,9 mil, para reverter essa inclinação. Enquanto isso, o mercado se mantém voltado à gestão de riscos de baixa, com eventuais testes de suporte em torno dos US$ 62 mil e abaixo.
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