- Uma lei espanhola de dois mil e vinte e dois iniciou um movimento de restituição de obras de arte apreendidas durante a Guerra Civil, décadas após a morte de Francisco Franco.
- O Museo del Prado identificou cento e sessenta e seis obras confiscadas em seu acervo e lidera os esforços de devolução.
- No mês passado, duas pequenas paróquias, Yebes e Pareja, receberam de volta quadros confiscados em mil novecentos trinta e oito; entre eles, fragmentos de uma Anunciação do século XVI e a obra Cristo diante de Pilato, de Maestro de Lupiana, que já esteve no acervo do Prado.
- Um pesquisador, Arturo Colorado Castellary, estimou mais de vinte e seis mil objetos confiscados, com cerca de um terço nunca devolvidos; muitos acabaram em museus, igrejas ou coleções privadas.
- A maior parte das restituições ocorreu após a aprovação da Lei da Memória Democrática, que ampliou reparações a vítimas do regime; ainda não existe um quadro legal definitivo para facilitar as devoluções, mas vários museus já realizaram devoluções desde 2024.
A Espanha iniciou um processo de restituição de arte saqueada durante a Guerra Civil, mais de 50 anos após a morte de Franco. A mudança veio com uma lei aprovada em 2022, que abriu caminho para buscas e devoluções.
O foco tem sido, principalmente, o acervo confiscado de museus, palácios, igrejas e coleções privadas. O Museo del Prado já identificou 166 obras em sua coleção para eventual devolução.
Ao longo dos últimos anos, o Prado lidera o trabalho de catalogação. Na prática, houve devoluções parciais a comunidades e paróquias, como em Yebes e Pareja, ambos na região de Castilla-La Mancha.
Prado lidera as devoluções
Entre as peças devolvidas, destaque para obras da coleção de artistas espanhóis, como Sorolla e Bocanegra. Em abril, o painel Christ before Pilate, do Maestro de Lupiana, foi devolvido à paróquia de Yebes. Pareja recebeu fragmentos de uma Anunciação.
A iniciativa do Prado ocorreu após estudo iniciado por Arturo Colorado Castellary, especialista em arte saqueada. Ele identificou milhares de itens confiscados e até hoje muitos não foram restituídos.
A investigação ganhou fôlego com a Democracia Memória, aprovada em 2021, que ampliou reparações às vítimas. Em 2024, o governo iniciou processos de avaliação. Já foram identificados mais de 7 mil objetos.
Casos em destaque: legado do ex-prefeito Pedro Rico
O processo de restituição também envolve o acervo de Pedro Rico, prefeito de Madrid durante a Guerra Civil. Em 2023 e 2024, museus devolveram parte das obras aos herdeiros, que buscam esclarecer o legado cultural do ex-gestor.
Os netos de Rico, Francisca e Pedro Rico Gómez, acompanharam as investigações desde 2022. A defesa sustenta que a devolução desfaz uma injustiça histórica ao patrimônio familiar e à memória local.
Outras instituições espanholas já participaram de devoluções desde 2024, com obras retiradas de museus como Gran Canaria e Madrid. O processo segue aberto, com novas identificações pela via administrativa.
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