- Em 1987, Goiânia viveu um dos maiores desastres radiológicos, causado pelo césio-137 (uso em tratamento de câncer) deixado em uma clínica abandonada.
- Dois catadores de lixo encontraram a cápsula com 19 g e a levaram para casa; os primeiros sintomas de intoxicação apareceram em dois dias.
- O objeto em vidro brilhava em verde-azulado; o dono do ferro-velho levou as peças para casa, atraído pelo brilho.
- A contaminação chegou à região urbana, com várias pessoas apresentando indisposição; a primeira vítima foi a filha de 7 anos de um morador do ferro-velho, que ingere pão com pó contaminado.
- A descontaminação começou em 30 de setembro; mais de 112,8 mil pessoas foram monitoradas, quatro mortes foram registradas oficialmente, mas a Associação de Vítimas aponta até oitenta óbitos.
O acidente com césio-137 em Goiânia, ocorrendo em 1987, é considerado um dos maiores desastres radiológicos já registrados. O problema começou quando dois catadores de lixo encontraram uma cápsula de 19 g de césio-137 em uma máquina de tratamento de câncer abandonada.
A máquina ficava numa clínica desativada na capital de Goiás. Sem saber do perigo, os catadores desmontaram o equipamento e entraram em contato com o material, iniciando a contaminação que se espalhou pela área urbana.
O brilho verde-azulado da cápsula chamou a atenção de um ferro-velho, que comprou a máquina e retirou peças. Os trabalhadores logo perceberam o efeito do material, mas não identificaram a natureza radioativa da substância.
O veículo de descarte atraiu curiosos e trabalhadores da região, que tocaram na substância e apresentaram sintomas como náuseas, vômitos e tonturas. A contaminação se espalhou entre quem teve contato direto com o pó.
A primeira vítima fatal foi Leide das Neves Ferreira, morta um mês após ingerir parte do pó durante o preparo de alimentos. A segunda vítima foi a esposa do dono do ferro-velho, também contaminada pela substância.
Descontaminação e desdobramentos
Em 30 de setembro, equipes da CNEN e da polícia iniciaram a descontaminação de Goiânia. Mais de 112 mil pessoas foram monitoradas e cerca de 6 mil toneladas de material contaminado foram removidas. O número oficial de mortes é de quatro, porém entidades de vítimas cita uma quantidade maior.
Legado e acompanhamento médico
Anos após o acidente, o monitoramento médico continuou. Trinta anos depois, quase mil pessoas continuam sob acompanhamento da SuLeide, divididas em grupos conforme a gravidade da contaminação. O grupo I concentra os casos mais graves e seus filhos.
Fontes destacam a atuação de autoridades técnicas no manejo da crise e a referência mundial da resposta a emergências radiológicas. O episódio permanece como estudo de intervenção em desastres de origem nuclear.
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