- Marengo afirma que o El Niño vai ocorrer, mas não há certeza sobre a intensidade; a probabilidade de ocorrência é praticamente quase total.
- O relatório da Organização Meteorológica Mundial sobre a América Latina indica um 2025 entre os anos mais quentes já registrados, com altas temperaturas, secas e enchentes.
- O Brasil está em estado de atenção climática: Sul com risco de chuva mais intensa; Norte e Centro-Oeste com seca e calor elevado; impactos variam por região.
- A geleira de Chacaltaya tende a desaparecer, símbolo das mudanças rápidas na região; as geleiras andinas fornecem água para cerca de 90 milhões de pessoas.
- Importante ampliar prevenção e coordenação entre governo e ciência; há mobilização do agronegócio com brigadas preventivas e preocupação com desinformação e previsões de longo prazo.
José Antonio Marengo Orsini, climatologista ligado ao Cemaden e ao IPCC, participou de audiência pública no Senado Federal para discutir o possível El Niño e seus impactos na América Latina. A presença de parlamentares refletiu preocupações com seca, enchentes, incêndios no Pantanal e riscos ao abastecimento. Questionamentos também trataram de interpretações nas redes sociais sobre o tema.
Marengo afirmou que o El Niño deve ocorrer, mas a intensidade ainda não está definida. O cientista ressaltou a diferença entre o consenso de que o fenômeno acontecerá e a incerteza quanto ao seu grau de severidade. A terminologia de “super El Niño” não é usada pela climatologia, conforme explicou.
O pesquisador integra o Cemaden, órgão vinculado ao MCTI, e atua há anos em estudos para a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Ele coordena, desde 2020, o relatório sobre o estado do clima na América Latina e no Caribe, produzido pela OMM, apresentado em Brasília no dia 18 de maio.
O relatório da OMM, o mais recente, aponta que 2025 foi um ano entre os mais quentes já registrados na região, com variações de até 3°C acima da média em algumas áreas. Também aponta secas mais prolongadas, enchentes intensas e elevação do nível do mar em partes do Caribe e do Golfo do México. Dados são observados como atuais, não apenas projeções.
Marengo destacou que o cenário atual não se limita a projeções futuras: os extremos climáticos já afetam ecossistemas, economia e bem-estar da população. O estudo também chama a atenção para o recuo da geleira de Chacaltaya, na Bolívia, símbolo das transformações climáticas na região.
Sobre o El Niño, o pesquisador explicou que muitos modelos indicam aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, o que acarreta maior probabilidade do fenômeno ocorrer. A intensidade ainda depende de fatores que limitam a previsibilidade a meses de distância, especialmente entre julho e agosto, quando as previsões se tornam mais confiáveis para a primavera e o verão.
No Brasil, a atuação de autoridades e setor produtivo é tema de discussão. O país entra em estado de atenção climática, com previsão de chuvas intensas no Sul e temperaturas elevadas em áreas da Amazônia, Norte e Centro-Oeste. A relação entre eventos extremos e aquecimento global é tema central do debate.
Marengo ressaltou a necessidade de transformar informação científica em ações preventivas. O Brasil ainda enfrenta desafios como ocupação irregular de áreas de risco, coordenação entre governos e cultura de prevenção. Em relação ao agronegócio, produtores já estudam brigadas de emergência diante de cenários de seca e calor extremo.
Para o climatologista, o equilíbrio entre previsões de longo prazo e medidas de prevenção é crucial. O país precisa de maior articulação entre governo federal, estados, municípios e comunidade científica para reduzir impactos. A negligência de medidas preventivas pode aumentar vulnerabilidades e custos humanos.
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