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ONU alerta que milhares são forçados a cometer crimes digitais

ONU alerta que milhares são forçados a cometer fraudes digitais em centros no Sudeste Asiático, com abusos graves, mortes e necessidade de resgate internacional

Migrant workers are detained by a military personnel during a crack down on illegal migrant workers at a market in Bangkok, Thailand, September 27, 2016. Picture taken September 27, 2016. REUTERS/Athit Perawongmetha - S1BEUEAHDCAA
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  • ONU alerta que milhares de pessoas foram forçadas a trabalhar em redes de fraudes digitais, muitas sediadas no Sudeste Asiático, com condições desumanas.
  • Relatório do Alto Comissariado traz centenas de testemunhos de vítimas, descrevendo tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e confinamento.
  • Os abusos teriam ocorrido em centros de fraude digitais no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos entre 2021 e 2025, com presença também em África e Américas.
  • As vítimas são de várias nacionalidades, com presença significativa de cidadãos asiáticos; algumas captadas em França, Alemanha, Reino Unido, Peru, Colômbia, Brasil e México.
  • A ONU pediu operações de resgate coordenadas e programas de reabilitação, alertando que o fenômeno se espalha e envolve autoridades em alguns casos.

Milhares de pessoas ao redor do mundo foram forçadas a trabalhar para redes de fraudes digitais, com atuação destacada no Sudeste Asiático. As vítimas vivem em condições desumanas, aponta relatório da ONU.

O documento do Gabinete do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) reúne centenas de testemunhos e descreve tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimento e confinamento solitário entre outras violações.

O Alto Comissário Volker Türk afirmou que a lista de abusos é avassaladora, segundo a ONU. O relatório cobre abusos ocorridos entre 2021 e 2025, em centros de fraude no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, com casos também reportados em África e nas Américas.

Casos e locais

As vítimas são de diversas regiões, com participação significativa de cidadãos asiáticos. Registros indicam captura de pessoas em países europeus como França, Alemanha e Reino Unido, além de nações da América Latina, incluindo Peru, Colômbia, Brasil e México.

Centros ilegais descritos no relatório aparecem como áreas fortificadas, com edificações de vários andares, muros altos e vigilância de seguranças. Nesses locais, quem não atingia metas mensais de fraude enfrentava punições severas.

Relatos do material obtido também apontam mortes de indivíduos que tentaram escapar. Outros ficaram feridos ou foram submetidos a castigos após tentativas de fuga, gerando alto risco de danos físicos e psicológicos.

Nenhum sobrevivente recebeu o dinheiro prometido pelas redes de fraude, que em alguns casos contaram com apoio de policiais e guardas de fronteira envolvidos nos crimes.

Punição e mortes

A narrativa de vítimas descreve crimes que vão desde roubo de identidade até extorsão ligada a fraudes financeiras. Os relatos destacam supervisão rígida, horários exaustivos e punições por desempenho.

A ONU aponta que muitos trabalhadores não tiveram oportunidade de retornar aos seus países ou de regularizar a situação, aumentando a vulnerabilidade à exploração contínua e a revitimização.

Nessas situações, a atuação internacional ainda é essencial para enfrentar a prática, que se espalha e afeta pessoas em múltiplas regiões.

Resgate e próximos passos

O ACNUDH solicita operações de resgate coordenadas e seguras para as vítimas, além de programas de reabilitação para quem sobreviveu. A entidade enfatiza a participação da comunidade internacional para conter o fenômeno.

Em relatório anterior, de 2023, a ONU já estimava que centenas de milhares foram recrutadas à força para atividades criminosas online, reforçando a necessidade de ações abrangentes e monitoramento efetivo.

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