- A Faber-Castell acusa o governo da Costa Rica de usar como detenção uma antiga fábrica que doou para fins humanitários, transformada no Centro de Atendimento Temporal para Migrantes (Catem).
- A instalação foi entregue em 2018 para abrigar migrantes; o acordo previa que o espaço continuasse com esse objetivo, sem alterações de finalidade.
- Em 2025, duzentos deportados dos Estados Unidos, vindos de diversos países, foram mantidos no local por meses; a empresa afirmou não ter sido informada sobre a detenção.
- Organizações de direitos humanos afirmaram que houve detenção sem base legal e sem supervisão judicial; o governo costa-riquenho negou violação dos direitos.
- Até janeiro de 2026, o Catem tinha capacidade para trezentas pessoas; dados oficiais indicaram que não havia migrantes no local naquela data.
A Fábrica Maderin Eco, da Faber-Castell, está no centro de uma controvérsia internacional após a Costa Rica ser acusada de usar o antigo espaço como centro de detenção de requerentes de asilo deportados pelos EUA durante a gestão Trump. A empresa afirmou não ter conhecimento do uso indevido até ser contatada pelo Guardian.
A fabricante de lápis, que produz mais de 2 bilhões de unidades por ano, encerrou a fábrica no sul da Costa Rica em 2013. Em 2018, cedeu o espaço ao governo do país para acolhimento humanitário de migrantes na região.
Segundo o contrato assinado com o Ministério de Segurança Pública, o local deveria abrigar um abrigo voltado à proteção de migrantes, sem possibilidade de mudar o propósito do imóvel. A mudança de uso para detenção ocorreu no ano passado, segundo a imprensa, sem que a empresa soubesse.
O espaço, conhecido como Catem, fica em Puntarenas, a cerca de seis horas da capital, San José. O governo informou que recebeu 200 deportados dos EUA no fim de fevereiro de 2025 e os encaminhou ao Catem, com crianças entre eles.
Migrantes deportados, vindos de diversos países, ficaram detidos no Catem por pelo menos dois meses. A situação levou o Tribunal Supremo da Costa Rica a reconhecer, em junho, a privação de liberdade irregular. O governo negou as alegações.
A Faber-Castell comunicou que não houve autorização para transformar o imóvel em prisão e que o acordo previa claramente um centro humanitário. Em nota, a empresa afirmou que o uso atual do espaço contraria o combinado.
Organizações de direitos humanos visitaram o Catem e concluíram que os migrantes ficaram detidos por meses, com base em um estado claramente destinado a estadias de curtíssimo prazo. O governo sustenta que as medidas foram motivadas por razões humanitárias.
O Ministério da Segurança Pública explicou, por meio de nota, que os migrantes tinham nacionalidades que exigem visto para entrar no país, mas receberam entrada facilitada por razões humanitárias. A pasta afirma que a detenção não ocorreu de forma irregular.
Entre os deportados há relatos de rigidões no controle de saída e de limitação de acesso a informações e assistência jurídica. A Costa Rica enfrenta ações judiciais e pedidos de indenização para os indivíduos afetados.
Ainda não há anúncio de ações futuras da Faber-Castell sobre o caso. A empresa reiterou, por meio de representantes, que não reconhece o uso do espaço como prisão e que o objetivo era exclusivamente humanitário.
Entre na conversa da comunidade