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Maior fabricante de lápis acusa Costa Rica de usar fábrica como detenção

Faber-Castell acusa Costa Rica de usar fábrica doada para abrigar migrantes deportados dos EUA; empresa afirma não saber da detenção

Migrants walk at the Temporary Care Centre for Migrants (Catem) in Paso Canoas, about 300km south of San José, in Puntarenas province, on 27 September 2023.
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  • A Faber-Castell acusa o governo da Costa Rica de usar como detenção uma antiga fábrica que doou para fins humanitários, transformada no Centro de Atendimento Temporal para Migrantes (Catem).
  • A instalação foi entregue em 2018 para abrigar migrantes; o acordo previa que o espaço continuasse com esse objetivo, sem alterações de finalidade.
  • Em 2025, duzentos deportados dos Estados Unidos, vindos de diversos países, foram mantidos no local por meses; a empresa afirmou não ter sido informada sobre a detenção.
  • Organizações de direitos humanos afirmaram que houve detenção sem base legal e sem supervisão judicial; o governo costa-riquenho negou violação dos direitos.
  • Até janeiro de 2026, o Catem tinha capacidade para trezentas pessoas; dados oficiais indicaram que não havia migrantes no local naquela data.

A Fábrica Maderin Eco, da Faber-Castell, está no centro de uma controvérsia internacional após a Costa Rica ser acusada de usar o antigo espaço como centro de detenção de requerentes de asilo deportados pelos EUA durante a gestão Trump. A empresa afirmou não ter conhecimento do uso indevido até ser contatada pelo Guardian.

A fabricante de lápis, que produz mais de 2 bilhões de unidades por ano, encerrou a fábrica no sul da Costa Rica em 2013. Em 2018, cedeu o espaço ao governo do país para acolhimento humanitário de migrantes na região.

Segundo o contrato assinado com o Ministério de Segurança Pública, o local deveria abrigar um abrigo voltado à proteção de migrantes, sem possibilidade de mudar o propósito do imóvel. A mudança de uso para detenção ocorreu no ano passado, segundo a imprensa, sem que a empresa soubesse.

O espaço, conhecido como Catem, fica em Puntarenas, a cerca de seis horas da capital, San José. O governo informou que recebeu 200 deportados dos EUA no fim de fevereiro de 2025 e os encaminhou ao Catem, com crianças entre eles.

Migrantes deportados, vindos de diversos países, ficaram detidos no Catem por pelo menos dois meses. A situação levou o Tribunal Supremo da Costa Rica a reconhecer, em junho, a privação de liberdade irregular. O governo negou as alegações.

A Faber-Castell comunicou que não houve autorização para transformar o imóvel em prisão e que o acordo previa claramente um centro humanitário. Em nota, a empresa afirmou que o uso atual do espaço contraria o combinado.

Organizações de direitos humanos visitaram o Catem e concluíram que os migrantes ficaram detidos por meses, com base em um estado claramente destinado a estadias de curtíssimo prazo. O governo sustenta que as medidas foram motivadas por razões humanitárias.

O Ministério da Segurança Pública explicou, por meio de nota, que os migrantes tinham nacionalidades que exigem visto para entrar no país, mas receberam entrada facilitada por razões humanitárias. A pasta afirma que a detenção não ocorreu de forma irregular.

Entre os deportados há relatos de rigidões no controle de saída e de limitação de acesso a informações e assistência jurídica. A Costa Rica enfrenta ações judiciais e pedidos de indenização para os indivíduos afetados.

Ainda não há anúncio de ações futuras da Faber-Castell sobre o caso. A empresa reiterou, por meio de representantes, que não reconhece o uso do espaço como prisão e que o objetivo era exclusivamente humanitário.

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