- Estudo de 2001 a 2024 na Bolívia reuniu mais de 4.600 imagens de armadilhas fotográficas para entender o comportamento, o habitat e a dependência da floresta para a sobrevivência do cão-phantasma, Atelocynus microtis.
- A espécie, também chamada de cão-phantasma na Bolívia, é nativa de florestas amazônicas e prefere florestas de planície interior, até 750 metros de altitude.
- Em Bolívia, o cão pode ser visto em florestas contínuas no norte de La Paz, além de departamentos de Pando, Beni (norte e nordeste) e Santa Cruz.
- As imagens mostram maior abundância relativa em áreas protegidas e em territórios indígenas que se sobrepõem a áreas protegidas, reforçando a importância da conservação de grandes blocos de floresta.
- O estudo indica que grandes extensões de floresta contínua são necessárias para manter populações viáveis a longo prazo dessa espécie, que é tímida e difícil de observar no campo.
O estudo realizado na Bolívia entre 2001 e 2024 registrou mais de 4.6 mil imagens de armadilhas fotográficas que ajudam a mapear o comportamento e a distribuição do cão-raposa amazônico, conhecido como perro fantasma no país. A pesquisa mostra que o animal é predominantemente um canídeo de floresta e depende da continuidade das matas para sobreviver.
Ao todo, os pesquisadores reuniram 4.635 fotos em 594 eventos distintos, vindas de áreas de floresta amazônica central e baixa. O foco foi entender onde o animal vive, como se desloca e por que evita trechos de transição para áreas mais abertas. As imagens cobrem áreas protegidas, territórios indígenas e paisagens de grande extensão.
Onde ele ocorre
O cão-raposa pode ser avistado no norte de La Paz, em Pando e em partes de Beni, bem como no extremo norte de Santa Cruz. Também está presente em florestas de pampa andina, em altitudes de até 750 metros. A espécie habita florestas contínuas, afastadas de áreas alagadas, com predomínio de matas maduras.
Metodologia e apoio institucional
O estudo foi conduzido pela Wildlife Conservation Society (WCS) Bolívia, com 34 campanhas de câmera-trap em áreas de menor altitude do Grande Maciço Madidi-Tambopata e do Llanos de Moxos. A parceria incluiu a ONG ORÉ, ligada a museus locais, e o Noel Kempff Mercado Natural History Museum.
Principais achados e implicações
Os resultados indicam que o perro fantasma é mais comum em áreas protegidas e territórios indígenas que se sobrepõem a áreas de conservação, reforçando a importância de grandes blocos de floresta para manter populações estáveis. A espécie apresenta preferências por florestas de baixa altitude, longe de rios, com vegetação densa e solo não inundado.
Características do animal
O cão-raposa tem corpo relativamente baixo, patas curtas e orelhas pequenas. O pelo varia do cinza-escuro ao castanho-avermelhado, com uma risca dorsal escura e uma cauda comprida e densa. Os pés são parcialmente mergulhados, uma característica única entre canídeos amazônicos, e o peso fica entre 9 e 10 kg.
Observações adicionais
Especialistas destacam que o animal é diurno, com atividade also crepuscular, e que a maioria dos avistamentos ocorre durante o dia. A presença em áreas de floresta madura, mais afastadas de rios, reforça a necessidade de conservar esses ambientes para a sobrevivência a longo prazo.
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