- O governo criou a Universidade Federal Indígena (Unind), sediada em Brasília, DF, ampliando a rede de universidades federais para 70.
- A instituição foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, com previsão de atender 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos.
- A Unind terá início das atividades em 2027, com dez cursos de graduação iniciais em áreas como gestão ambiental, políticas públicas, línguas indígenas, saúde e educação.
- A nomeação do reitor e do vice-reitor será obrigatoriamente de docentes indígenas, e a universidade poderá atuar em múltiplos campi, começando pela sede em Brasília.
- A proposta visa integrar saberes tradicionais e conhecimentos científicos, fortalecendo identidades indígenas, com foco em autodeterminação, pluralidade epistêmica e combate ao racismo epistêmico.
O Governo do Brasil criou a Universidade Federal Indígena (Unind), anunciada na quinta-feira, 28 de maio. A instituição será sediada em Brasília (DF) e integra a rede de 70 universidades federais do país. A decisão foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto, com participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini.
A Unind nasce a partir de debates e consultas envolvendo lideranças indígenas, instituições de ensino e órgãos federais. A previsão é atender cerca de 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos de implantação, com atuação multicampi e expansão futura para outras regiões.
O anúncio ocorreu durante a cerimônia em que Lula destacou o reconhecimento aos saberes milenares dos povos originários. Barchini ressaltou a luta de mais de 16 anos pela criação da universidade e informou a compra da área da antiga Universidade dos Correios, em Brasília, para abrigar a Unind. A entrega da sede está prevista para a segunda quinzena de junho.
Planos e Estrutura
O MEC iniciará as tratativas para implantação da Unind, incluindo definição de estrutura organizacional, cursos iniciais e guidelines pedagógicos. A instituição poderá oferecer cursos para estudantes indígenas e não indígenas, mantendo formato semelhante ao de outras federais.
A Unind terá como missão fortalecer identidades, culturas, saberes e línguas indígenas, promovendo autonomia e diversidade. Entre os objetivos estão a produção de conhecimento voltado ao fortalecimento cultural, gestão territorial e ambiental, e promoção de extensão universitária.
A previsão é iniciar atividades em 2027, com 10 cursos de graduação em áreas estratégicas, como gestão ambiental, políticas públicas, sustentabilidade, línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias, formação de docentes e outras áreas voltadas à autonomia. Novos cursos e campi serão implementados gradualmente.
A reitoria e a vice-reitoria deverão ser ocupadas por docentes indígenas. A estrutura institucional seguirá o modelo de outras federais, com possibilidade de ingresso de estudantes de diferentes origens.
A Unind prevê ainda diretrizes que valorizem a diversidade linguística e cultural, além de processos seletivos próprios. Fóruns e representantes indígenas destacam a iniciativa como resultado de construção coletiva entre povos e instituições.
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