- Belo Monte, maior usina hidrelétrica da Amazônia, enfrenta redução de água e maior vulnerabilidade climática, conforme estudos de ANA e EPE divulgados em nov/2025.
- Estudos apontam que o regime hidrológico mudará, com menor vazão e temporadas secas mais longas na Bacia do Xingu, colocando em risco a geração.
- A produção diária de Belo Monte em 2024 atingiu pico de apenas 10.397 MW em 30 de abril, com funcionamento de apenas uma das 18 turbinas até o fim da seca.
- Para compensar a menor confiabilidade, o setor exige investimentos em outras fontes, estimando até 121 GW de capacidade adicional, incluindo armazenamento, solar, e eólica.
- Empresa prestadora Norte Energia sustenta que a usina continua essencial ao sistema elétrico, mas reconhece a necessidade de adaptar operações e considerar cenários climáticos no planejamento futuro.
A barragem Belo Monte, instalada no rio Xingu, tem enfrentado quedas de vazão em meio a alterações climáticas, sinalizando vulnerabilidade cada vez maior das grandes hidrelétricas da Amazônia. Dois estudos, de ANA e EPE, apontam que mudanças no regime de águas exigem adaptação rápida para manter a segurança energética do país. A usina opera desde 2016 como usina de fluxo de água direto, sem grande reservoir, o que amplia a exposição a períodos de seca.
Os levantamentos destacam que a geração pode recuar significativamente, caso decisões continuem baseadas em dados históricos de água. A Bacia do Xingu, em particular, tende a apresentar estações secas mais longas e intensas nas próximas décadas, com quedas de até 50% nos caudais máximos previstos. Consecutivas secas podem se estender até 40 dias no futuro e ciclos de água com duração de até 150 dias em casos extremos.
Dados de 2024 mostraram desempenho abaixo do esperado: Belo Monte não alcançou sua capacidade prevista em nenhum dia, com o auge em 30 de abril, perto de 10,4 GW, antes de a seca se intensificar. Em agosto, apenas um dos 18 geradores operava, evidenciando o risco de confiabilidade energética diante da mudança climática.
A EPE, ao analisar impactos, sustenta que compensar a menor confiabilidade hidrelétrica exige expansão de fontes alternativas. Estima-se necessidade de cerca de 121 GW de capacidade adicional, com foco em armazenamento, solar, eólica e tecnologias complementares, elevando o investimento total do sistema em até 70%.
Segundo especialistas ouvidos, o efeito combinado de menos água e maior demanda provoca pressão dupla sobre o sistema elétrico, especialmente com o aumento previsto de consumo por ar-condicionado. O cenário sugere que novos empreendimentos na região devem considerar cenários climáticos, não apenas dados históricos.
A Norte Energia, operadora de Belo Monte, contesta a ideia de obsolescência da usina. Em nota, a empresa afirmou que a usina segue essencial para o sistema elétrico brasileiro, tendo chegado a atender até 19% da demanda nacional em momentos de pico. A companhia ressalta que regras de operação foram definidas na licença e permanecem sujeitas a decisões regulatórias.
Mesmo com garantias de mitigação, pesquisadores indicam que o projeto evidencia riscos de planejamento sem incorporar ciência climática. O consenso científico aponta para redução de vazões nas bacias amazônicas, o que pode exigir revisão de projetos futuros |e para reduzir impactos ambientais e sociais associados.
A situação atual reforça a necessidade de adaptação operacional das usinas existentes para cenários climáticos, bem como uma avaliação mais cautelosa de licenças futuras na região. A expectativa é de que decisões regulatórias e políticas públicas deem prioridade à resiliência do sistema elétrico frente às mudanças climáticas.
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