- Japão reativou 15 dos 54 reatores que possuía antes do acidente de Fukushima, fornecendo quase 9% da eletricidade do país.
- O último reator a ser reiniciado foi Kashiwazaki-Kariwa, em Niigata, após aprovação da Autoridade de Regulamentação Nuclear (NRA) em 2022 e aprovação da população local, com atraso de três anos.
- Tepco, dona da Kashiwazaki-Kariwa e citada no caso de Fukushima, enfrentou questionamentos sobre confiabilidade e histórico de irregularidades, o que ajudou a moldar a resistência local ao reinício.
- O governo mantém a meta de atingir neutralidade de carbono até 2050, incluindo a energia nuclear entre os pilares para alcançar esse objetivo, com planejamento de mix energético para 2040 (renováveis, nuclear e térmicas).
- O programa de descomissionamento de Fukushima Daiichi prevê fases em 2041 e 2051, com pesquisas de robótica em Namie para enfrentar a radiação e decidir o destino final do terreno após consulta à população.
Japão mantém a recuperação da energia nuclear em ritmo contido, 15 anos após Fukushima. Do total de 54 reatores que operavam no país, apenas 15 já foram reinicializados, alimentando quase 9% da eletricidade nacional. A retomada acontece em meio a forte desconfiança pública.
A última reinicialização ocorreu na central Kashiwazaki-Kariwa, em Niigata, com liberação pela NRA em 2022 e colocação em funcionamento apenas no mês passado, após aprovação regional. A população local, porém, mostrou resistência inicial.
A Tepco, responsável pela usina Fukushima Daiichi, é citada como principal signatária do esforço de recomposição energética. A estatal foi nacionalizada após o acidente de 2011, registrando histórico de irregularidades que ainda preocupa moradores e autoridades locais.
Para o governo, a retomada visa atender demanda gerada por IA, data centers e indústria de semicondutores, além de metas de curto prazo para a matriz energética. O objetivo é que nuclear represente parte relevante do mix ano 2040, ao lado de renováveis e termelétricas.
A gestão do retorno envolve rígidos controles de segurança e ampla participação local. Em Niigata, a decisão de reativar a Kashiwazaki-Kariwa passou por assembleia regional em dezembro de 2025, apenas após três anos de atraso para obtenção de apoio da população.
Contexto e perspectivas
A energia nuclear continua sob escrutínio no Japão, com debates sobre armazenamento de resíduos e necessidade real de expansão. Especialistas destacam que a demanda pode crescer pouco, dependendo de políticas de eficiência e redução de consumo.
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