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Guerra no Irã pode atrasar a transição energética da Colômbia

Conflito no Oriente Médio eleva preços do petróleo e testa a transição energética da Colômbia, ainda dependente de fósseis para receitas públicas

President of Colombia Gustavo Petro gestures during an event regarding the restoration of the San Juan De Dios Hospital in Bogota, Colombia, on Jan. 27.
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  • O governo de Gustavo Petro busca encerrar novas licenças de exploração de petróleo e gás e avançar com a transição energética, mesmo diante de preços do petróleo elevados e pressão econômica.
  • Em 2024, mais de 75% da demanda energética da Colômbia foi atendida por combustíveis fósseis, com o petróleo respondendo por mais de 40% e a Colômbia continuando como grande exportadora de petróleo e carvão.
  • A transição depende de investimentos internacionais estimados em 40 bilhões de dólares na próxima década, para ampliar energias renováveis e substituir receitas provenientes de óleo e gás.
  • A Colômbia tem fomentado parcerias para ampliar a energia solar, com financiamento de cerca de 200 milhões de dólares anunciados entre o Banco Europeu de Investimento, a Enel e parceiros locais; o programa Colômbia Solar busca entregar infraestrutura e subsídios direcionados.
  • Internacionalmente, o país tornou-se membro da Agência Internacional de Energia e vai sediar uma conferência sobre a fase-out de combustíveis fósseis, buscando apoio global para uma transição sustentável e menos volátil diante de tensões geopolíticas.

O conflito entre EUA, Israel e Irã pode impactar a transição energética da Colômbia, que já planeja reduzir a exploração de petróleo e gás. O preço do Brent chegou a 100 dólares por barril, aumentando incentivos de exportação para alguns países. A Colômbia busca manter o ritmo da mudança energética apesar da conjuntura volátil.

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, propôs um marco de transição justa no plano de desenvolvimento 2022-2026. A meta inclui zerar novas licenças de exploração, frear fracturamento e evitar hidrocarbonetos não convencionais. O objetivo é reduzir dependência de combustíveis fósseis.

O plano destaca expansão de energias renováveis, combate a crimes ambientais e estímulo a veículos de emissão zero. Desde então, a participação de renováveis na matriz elétrica subiu de 2% para 16%. Contudo, o país continua dependente de petróleo, gás e carvão para energia e receitas externas.

Desafios econômicos e eleitorais

Em 2024, mais de 75% da demanda energética nacional veio de combustíveis fósseis, com o petróleo soando como principal componente. O petróleo e o carvão ainda respondem por boa parte das exportações, gerando cerca de 10% do PIB e 45% das exportações totais.

A promessa de interromper novas licenças fósseis tornou-se peça central, porém politicamente frágil. Críticos dentro do governo dizem que as exportações de petróleo sustentam a estabilidade macroeconômica e as contas públicas, criando resistência à mudança.

Cenário político e coalizões

Entre os candidatos à presidência, Iván Cepeda é visto como continuidade do projeto de Petro, já que tem apoio do pacto histórico. Abelardo de la Espriella surge como favorito em pesquisas, defendendo economia de mercado e segurança, com menor inclinação à transição energética.

As eleições de maio podem redefinir o caminho da política energética. O Congresso, formado majoritariamente pelo pacto histórico, ficou sem maioria absoluta após as eleições de 8 de março, o que dificulta a aprovação de reformas regulatórias. Investimentos internacionais são considerados cruciais.

Apoio internacional e investimentos

Estimativas indicam a necessidade de 40 bilhões de dólares na próxima década para ampliar renováveis e substituir receitas de hidrocarbonetos. Investimentos internacionais começam a chegar, ainda que abaixo do necessário, com apoio de bancos e empresas europeias.

A EIB, em parceria com Enel Colombia, anunciou empréstimo de 200 milhões de dólares para projetos solares na região Atlántico, alavancando energia limpa para cerca de 1,5 milhão de pessoas. O programa Colombia Solar pretende ampliar acesso a energia solar em áreas de menor renda.

Alianças estratégicas e geopolítica

Colômbia firmou associação com a China, integrando-a à Belt and Road e buscando tecnologia de painéis, baterias e mobilidade limpa. A abertura internacional é vista como peça-chave para acelerar a transição justa, reduzindo dependência de combustíveis fósseis.

No âmbito diplomático, a Colômbia tornou-se membro da IEA e organiza, com a Holanda, uma conferência internacional sobre eliminação gradual de combustíveis fósseis. A meta é consolidar compromissos de liderança climática frente a pressões geopolíticas.

Desafios de implementação

O desafio é traduzir liderança climática em benefícios reais, como custos de energia menores, empregos e contratos de tecnologia limpa. A estratégia requer apoio financeiro, acesso comercial favorável a exportações de baixo carbono e políticas de transição fiscal.

A capacidade de sustentar a agenda depende de coalizões internas e do apoio internacional. Sem alinhamento, a Colômbia pode enfrentar resistência e atrasos na implementação de reformas regulatórias e de financiamento verde.

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