- O governo de Gustavo Petro busca encerrar novas licenças de exploração de petróleo e gás e avançar com a transição energética, mesmo diante de preços do petróleo elevados e pressão econômica.
- Em 2024, mais de 75% da demanda energética da Colômbia foi atendida por combustíveis fósseis, com o petróleo respondendo por mais de 40% e a Colômbia continuando como grande exportadora de petróleo e carvão.
- A transição depende de investimentos internacionais estimados em 40 bilhões de dólares na próxima década, para ampliar energias renováveis e substituir receitas provenientes de óleo e gás.
- A Colômbia tem fomentado parcerias para ampliar a energia solar, com financiamento de cerca de 200 milhões de dólares anunciados entre o Banco Europeu de Investimento, a Enel e parceiros locais; o programa Colômbia Solar busca entregar infraestrutura e subsídios direcionados.
- Internacionalmente, o país tornou-se membro da Agência Internacional de Energia e vai sediar uma conferência sobre a fase-out de combustíveis fósseis, buscando apoio global para uma transição sustentável e menos volátil diante de tensões geopolíticas.
O conflito entre EUA, Israel e Irã pode impactar a transição energética da Colômbia, que já planeja reduzir a exploração de petróleo e gás. O preço do Brent chegou a 100 dólares por barril, aumentando incentivos de exportação para alguns países. A Colômbia busca manter o ritmo da mudança energética apesar da conjuntura volátil.
Gustavo Petro, presidente da Colômbia, propôs um marco de transição justa no plano de desenvolvimento 2022-2026. A meta inclui zerar novas licenças de exploração, frear fracturamento e evitar hidrocarbonetos não convencionais. O objetivo é reduzir dependência de combustíveis fósseis.
O plano destaca expansão de energias renováveis, combate a crimes ambientais e estímulo a veículos de emissão zero. Desde então, a participação de renováveis na matriz elétrica subiu de 2% para 16%. Contudo, o país continua dependente de petróleo, gás e carvão para energia e receitas externas.
Desafios econômicos e eleitorais
Em 2024, mais de 75% da demanda energética nacional veio de combustíveis fósseis, com o petróleo soando como principal componente. O petróleo e o carvão ainda respondem por boa parte das exportações, gerando cerca de 10% do PIB e 45% das exportações totais.
A promessa de interromper novas licenças fósseis tornou-se peça central, porém politicamente frágil. Críticos dentro do governo dizem que as exportações de petróleo sustentam a estabilidade macroeconômica e as contas públicas, criando resistência à mudança.
Cenário político e coalizões
Entre os candidatos à presidência, Iván Cepeda é visto como continuidade do projeto de Petro, já que tem apoio do pacto histórico. Abelardo de la Espriella surge como favorito em pesquisas, defendendo economia de mercado e segurança, com menor inclinação à transição energética.
As eleições de maio podem redefinir o caminho da política energética. O Congresso, formado majoritariamente pelo pacto histórico, ficou sem maioria absoluta após as eleições de 8 de março, o que dificulta a aprovação de reformas regulatórias. Investimentos internacionais são considerados cruciais.
Apoio internacional e investimentos
Estimativas indicam a necessidade de 40 bilhões de dólares na próxima década para ampliar renováveis e substituir receitas de hidrocarbonetos. Investimentos internacionais começam a chegar, ainda que abaixo do necessário, com apoio de bancos e empresas europeias.
A EIB, em parceria com Enel Colombia, anunciou empréstimo de 200 milhões de dólares para projetos solares na região Atlántico, alavancando energia limpa para cerca de 1,5 milhão de pessoas. O programa Colombia Solar pretende ampliar acesso a energia solar em áreas de menor renda.
Alianças estratégicas e geopolítica
Colômbia firmou associação com a China, integrando-a à Belt and Road e buscando tecnologia de painéis, baterias e mobilidade limpa. A abertura internacional é vista como peça-chave para acelerar a transição justa, reduzindo dependência de combustíveis fósseis.
No âmbito diplomático, a Colômbia tornou-se membro da IEA e organiza, com a Holanda, uma conferência internacional sobre eliminação gradual de combustíveis fósseis. A meta é consolidar compromissos de liderança climática frente a pressões geopolíticas.
Desafios de implementação
O desafio é traduzir liderança climática em benefícios reais, como custos de energia menores, empregos e contratos de tecnologia limpa. A estratégia requer apoio financeiro, acesso comercial favorável a exportações de baixo carbono e políticas de transição fiscal.
A capacidade de sustentar a agenda depende de coalizões internas e do apoio internacional. Sem alinhamento, a Colômbia pode enfrentar resistência e atrasos na implementação de reformas regulatórias e de financiamento verde.
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